Falta de garantia para Farc dificulta resgate, diz Garcia

Segundo assessor de Lula, local onde reféns serão soltos ainda não foi saiu por problema de segurança das Farc

BBC Brasil,

29 de dezembro de 2007 | 08h17

O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, afirmou na sexta-feira, 28, que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enfrentam um problema de segurança e por esta razão o local onde os três reféns deverão ser soltos ainda não foi anunciado ao governo da Venezuela, que lidera a missão de resgate dos seqüestrados. "Essa é uma operação de alto risco, sobretudo para as Farc. Imagino que eles estão enfrentando um problema de segurança. Eles (Farc) buscam o mínimo de risco possível para libertar os reféns", disse Garcia, que participa da comissão internacional que deverá acompanhar o resgate. O objetivo da chamada Operação Emmanuel é colocar em liberdade Clara Rojas, ex-assessora de campanha da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, e a ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo.  Mais cedo, Chávez informou que um dos problemas da operação é que as Farc ainda não haviam indicado as coordenadas do local onde os reféns colombianos serão postos em liberdade. Militarização Apesar do aval do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, para que a operação coordenada por Hugo Chávez fosse realizada, o governo colombiano não desmilitarizou a zona em que podem ser soltos os reféns. Marco Aurélio Garcia afirmou que as Farc buscam conquistar um saldo político ao prometer entregar de maneira unilateral o grupo de reféns. Para alcançar o objetivo, a guerrilha necessita evitar uma ofensiva do exército colombiano que poderia ocorrer imediatamente após a libertação dos reféns.  "Em uma operação deste tipo, que serve de propaganda para as Farc, não lhes interessa anular este espaço com uma situação de bombardeio logo depois que as pessoas forem soltas", disse durante entrevista coletiva a jornalistas brasileiros na Venezuela. Estima-se que cerca de 20 mil soldados colombianos atuam nos seis municípios próximos a Villavicencio, município que servirá de ponto de partida da operação de resgate. Garcia afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Uribe nesta sexta-feira e que seu colega colombiano disse "estar empenhado" em colaborar para que o resgate dos reféns seja bem-sucedido. Plano de resgate  De acordo com o assessor da Presidência, a segunda fase da operação de resgate, que contará com a presença da comissão internacional, deve sair de Caracas até o meio-dia deste sábado em direção à Villavicenco. "Se até o meio-dia não tivermos nenhuma informação concreta das Farc, nós vamos mesmo assim", disse. "Se não der para recuperar os reféns no sábado, nós dormimos em Villavicencio e tentamos no domingo, que é a data limite." O governo colombiano anunciou ter acordado com o governo da Venezuela que a operação de resgate deve ser finalizada até este domingo antes das 18h59 horas (20h29 em Brasília). Garcia afirma que se a missão for bem-sucedida, poderá significar uma inflexão na posição das Farc, o que a seu ver pode abrir caminho para uma negociação mais ampla entre a guerrilha e o governo da Colômbia. "Apostamos que a coisa se resolva. Se não, há que começar tudo de novo", disse.  Os três reféns que podem ser libertados fazem parte de um grupo de 45 pessoas seqüestradas pelas Farc. O grupo quer trocar os reféns por cerca de 500 guerrilheiros presos. Entre os reféns das Farc está a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt.

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