Falta de segurança atrasa plantio de soja no Paraguai

Dois casos recentes de sequestro de pessoas de famílias abastadas na região agrícola do Paraguai atrasaram o plantio de soja, ameaçando reduzir a produção total do país na próxima safra, de acordo com uma cooperativa agrícola.

REUTERS

29 de outubro de 2009 | 19h06

Na região norte do Paraguai, propensa a conflitos, um rico proprietário foi sequestrado no começo deste mês em um crime cuja autoria foi reivindicada por um grupo radical de esquerda chamado Exército do Povo do Paraguai (EPP). Na terça-feira, uma criança de 5 anos, parente de um dos maiores produtores de soja do país, foi sequestrada por empregados da família, mas libertada depois.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, condenou os sequestros.

O temor de novos sequestros levou vários produtores a reduzir as horas de trabalho e concentrar o plantio da soja durante o dia, disse Rubén Sanabria, um diretor da Coordenadoria Agrícola do Paraguai, a maior cooperativa do país.

"Durante o período do plantio da soja é comum o trabalho em jornada dobrada: uma durante o dia e a outra à noite. Mas as pessoas não estão trabalhando à noite por causa do medo", disse Sanabria à Reuters.

A previsão no Paraguai era do plantio de 2,7 milhões de hectares para uma colheita de 7 milhões de toneladas de soja em 2009/2010, um grande aumento em relação aos 3,9 milhões de toneladas da safra anterior, de acordo com estimativas do governo.

O plantio da soja começou no mês passado e vai continuar até o fim do ano.

"A área total plantada não vai mudar, mas o ritmo será mais lento e nós perderemos a melhor época para o cultivo," acrescentou Sanabria.

A soja é o principal produto de exportação do Paraguai, cuja economia é altamente dependente da agricultura. A fraca colheita da soja em 2008/09 foi um dos principais fatores na estimativa de contração da economia do país em 3,8% neste ano.

(Reportagem de Mariel Cristaldo e Daniela Desantis)

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