Família de Ingrid está otimista com novo líder das Farc

Irmã da refém diz que nomeação de Cano é sinal que grupo quer caminho da negociação

Agências internacionais,

26 de maio de 2008 | 14h37

Astrid Betancourt, irmã da dirigente política franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 23 de fevereiro de 2002, disse nesta segunda-feira, 26, ter esperanças de que a nomeação de Alfonso Cano como novo chefe da guerrilha permita que os 39 seqüestrados políticos detidos pelo grupo sejam libertados.  Veja também:Farc estão cada vez mais debilitadas, diz analista Colômbia duvida que Tirofijo tenha morrido de enfarteFamília exige corpo de Tirofijo, diz militar colombianoComandante escolhido é visto como ''amante da boa vida''  Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Os familiares dos reféns fizeram o primeiro apelo ao novo chefe das Farc. Além de Astrid, Yolanda Pulecio, mãe de Ingrid, pedem para que Cano aproveite o momento atual para libertar a ex-candidata, para que a concessão desencadeie uma ação decisiva da França e da comunidade internacional para o acordo humanitário e que coloque a Colômbia no caminho da paz. Cano assumiu a direção do grupo no lugar de Manuel Marulanda Vélez, seu fundador, que morreu no dia 26 de março, segundo anunciaram o grupo guerrilheiro e o governo colombiano. "Isso nos dá uma grande esperança, especialmente porque soubemos que Alfonso Cano é um estudioso, um homem culto, progressista, negociador e que, certamente, vai trazer sua análise destes 44 anos de luta armada e das novas possibilidades que se abrem para as Farc a partir de agora", declarou Astrid, em Paris, à rádio colombiana Caracol. A irmã da dirigente política seqüestrada disse que se as Farc decidirem libertar sua irmã e outros três reféns civis, de maneira unilateral, haverá a possibilidade de que o grupo não seja mais considerado uma organização terrorista. Astrid acrescentou que após a libertação dos seqüestrados, o passo seguinte seria uma trégua para o intercâmbio de militares e policiais em poder das Farc que, em troca, pediriam a libertação de vários guerrilheiros presos, o que, segundo a irmã da refém, daria início a um processo de paz. "Creio que temos uma grande chance de efetivar esse processo de paz com uma pessoa como Alfonso Cano na direção (das Farc) e isso é, finalmente, o que almejamos todos os colombianos, a começar por minha irmã que está na selva", concluiu.

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