Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Família de operário chileno processa Estado e donos de mina que desabou

Grupo de 33 mineiros está preso a 688 metros da superfície desde 5 de agosto

estadão.com.br,

26 de agosto de 2010 | 11h31

A família de um dos 33 operários presos em uma mina de ouro e cobre no norte do Chile desde o último dia 5 entrou nesta quinta-feira, 26, com um processo na Justiça contra os donos da mina e contra o organismo do governo que verifica as condições de segurança dos trabalhadores do ramo. 

 

Veja também:

especialEspecial: Os piores acidentes em minas da década

 

"Mão estou pensando em compensação financeira, mas nas pessoas responsáveis. Não só os donos da mina, mas em quem não fez seu trabalho de fiscalização", disse Carolina Narváez, esposa do mineiro Raúl Bustos, à AFP.

É o primeiro processo aberto contra a mineradora San Esteban. De acordo com o jornal chileno La Tercera, a mina San José foi reaberta em 2008 sem autorização por um funcionário do Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin).  A mina pertence aos empresários Marcelo Kemeny e Alejandro Bohn.  

O advogado Ramberto Valdés, que representa as famílias, afirmou à BBC que a ação pretende especificamente que os proprietários da mina e as autoridades responsáveis por sua fiscalização sejam condenados por sua suposta responsabilidade no acidente que deixou os mineiros presos a quase 700 metros de profundidade.

Segundo ele, a ação deve permitir que o pagamento de eventuais indenizações aos mineiros e suas famílias possa ser pago com o patrimônio dos indivíduos processados mesmo no caso da anunciada falência da mina San José.

Os donos da mina negam sua responsabilidade sobre o acidente. "Não é o momento de assumir culpas nem pedir perdão", afirmou Alejandro Bohn.  

Drama

Os mineiros estão presos em um refúgio a 688 metros da superfície após o colapso na mina. Os 33 sobreviveram por 19 dias com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas. Dentro da mina, os mineiros contam com acesso à água e canais de ventilação.

O resgate será feito por uma perfuradora que abrirá caminho no solo. Andres Sougarret, chefe da operação, afirmou que o período para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens pode levar até quatro meses.

 

Com informações da BBC Brasil

 

Atualizada às 14h59

 

Tudo o que sabemos sobre:
Chileminaacidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.