Família não perde esperanças no aniversário de Betancourt

Detida há 6 anos, franco-colombiana refém das Farc completa 46 anos no cativeiro no dia de Natal

Agências internacionais,

25 de dezembro de 2007 | 14h08

A família de Ingrid Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia e refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002, vive o dia de Natal em meio a revolta e tristeza, sem perder as esperanças da libertação da franco-colombiana, que completa 46 anos nesta terça-feira, 25.  Veja Também:Chávez convoca coletiva para falar sobre refénsFotos dos filhos de seqüestrada tentam sensibilizar FarcCom Farc e Uribe pressionados, Colômbia tem ano otimistaCronologia: do seqüestro à perspectiva de liberdadeEntenda o que são as Farc Os dois filhos da refém, Mélanie, que estuda em Nova York, e Lorenzo, que vive em Paris, e seu ex-marido Fabrice Delloye estão na França para celebrar o Natal e também lembrar do aniversário de Ingrid, o sexto em cativeiro na selva colombiana. O comitê francês de apoio a Betancourt afirma que "é preciso manter a esperança", segundo informou um porta-voz da entidade à Agência Efe. O marido da ex-candidata lançou 20 mil fotografias de seus dois filhos sobre as selvas do leste da Colômbia, com a esperança que pelo menos uma delas chegue a suas mãos como presente de Natal e aniversário. As imagens foram lançadas por Juan Carlos Lecompte em quatro vôos efetuados em um pequeno avião, entre quinta-feira e domingo, segundo disse o publicitário, que já realizou outras jornadas similares, totalizando o lançamento de cerca de 60 mil fotografias. O comitê pediu ainda que, no dia de Natal e aniversário de Betancourt, os franceses colocassem em suas janelas uma vela em lembrança da refém. Os apresentadores dos noticiários da TV pública apareceram com uma vela na frente, em sinal de apoio à iniciativa, enquanto em Issy-le-Moulineaux, nos arredores de Paris, a Prefeitura colocou velas em todas as suas janelas. "Não vai levar à libertação dos reféns, mas a iniciativa serve para que saibam que continuamos pensando nela", declarou o porta-voz. O comitê francês revelou decepção diante do fato de o papa Bento XVI não ter feito referência expressa à libertação dos reféns colombianos em sua mensagem de Natal como havia sido solicitado. "Lembrou de muitos países e conflitos e não sobre a Colômbia, onde há muitos cristãos que sofrem e que acreditamos que merecem do encorajamento do papa. Sabemos que em muitas ocasiões se preocupou com os reféns colombianos e pedimos que faça uma visita pastoral ao país", declarou o porta-voz. A organização está convencida de que o discurso do papa poderia ser determinante, tanto para influenciar as Farc como o presidente colombiano, Álvaro Uribe, para quem o comitê insiste por um acordo humanitário que permita a libertação dos reféns em troca da libertação de 500 guerrilheiros. Libertação de reféns As Farc advertiram na segunda-feira que a vida dos reféns Clara Rojas (assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt), seu filho Emmanuel, de 3 anos, e a ex-deputada Consuelo González Perdomo "corre um grave perigo", sem dar detalhes. Em um comunicado divulgado pela agência Anncol, a guerrilha afirmou que "operações militares (colombianas) impedem" a entrega dos cativos. Há uma semana, as Farc anunciaram que entregariam os reféns para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como "gesto de boa vontade". Horas após o anúncio das Farc, a senadora colombiana Piedad Córdoba, que atua na mediação com os guerrilheiros, afirmou que os reféns "não serão libertados antes do Natal", com a entrega podendo ocorrer em até 48 horas. "Não faria uma afirmação tão concreta se não acreditasse", disse. Havia expectativa de que os reféns fossem soltos até a segunda-feira no Estado venezuelano do Amazonas, perto da fronteira com Colômbia e Brasil. Mas o retorno de Piedad a Bogotá, depois de um fim de semana em Caracas, indicava que a libertação teria sido adiada.

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