Agência Brasil/divulgação
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Familiares de mortos no Haiti sofrem com falta de informações

Militares de várias regiões do Brasil morreram no terremoto; nas famílias de desaparecidos, desespero é maior

estadao.com.br,

14 de janeiro de 2010 | 17h58

As famílias dos 14 militares mortos no Haiti depois de um terremoto de 7 graus na escala Richter devastar o país ainda estão abaladas com o desastre e sentem dificuldade em obter informações junto aos batalhões onde os oficiais serviam. Entre as famílias dos quatro militares desaparecidos, a angústia é ainda maior. Outros 14 oficiais ficaram feridos.    

 

Falta de notícias

 

Familiares de dois militares mineiros mortos no terremoto do Haiti, o segundo-sargento Leonardo de Castro Carvalho, de 29 anos, e o subtenente Raniel Batista de Camargos, de 43, estão ainda sob o impacto da tragédia e angustiados pela falta de notícias.

 

Natural de São João del-Rei (MG), Carvalho deveria deixar Porto Príncipe no sábado, acompanhado de outros soldados do 11º Contingente do Exército que integrava a missão de paz da ONU no país. Ele havia conversado pela última vez com a mãe, Leandra de Castro Carvalho, de 53 anos, na última sexta-feira e tinha planos de retornar à cidade natal, montar um negócio e se casar.

 

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A mãe do segundo sargento reclamou da falta de informações no 5º Batalhão de Infantaria em Lorena (SP), onde o filho servia. O corpo do militar será enterrado em São João del-Rei. "A maior angústia é esperar o corpo, que a gente não sabe quando vai chegar".

 

Carvalho, que ingressou no Exército há nove anos, depois de ser aprovado no concurso da Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações, no sul de Minas, namorava há quase três anos e estava contente por cumprir seu período na missão humanitária.

 

Aniversário

 

O corpo de Raniel Camargos será enterrado em Patos de Minas, no centro-oeste mineiro, sua cidade natal. Abalados, parentes evitavam contatos com a imprensa, mas a uma emissora de TV local o pai do subtenente disse que a suspeita da família é que ele tenha sido atingido pelo terremoto no momento em que acompanhava, por meio do serviço de voz via internet Skype, o aniversário da filha Giovana, que completou seis anos na terça-feira. A mulher do militar, Heloísa Chagas Maia Camargos, e o casal de filhos - que passavam férias em Natal (RN), onde moram os pais dela -, chegaram nesta quinta na cidade mineira.

 

Três militares do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais foram designados pelo governo do Estado para auxiliar no resgate às vítimas do terremoto. Os bombeiros lotados no 1º Batalhão de Belo Horizonte e três cães farejadores embarcariam nesta quinta de Brasília para o Haiti em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

 

Autópsia

 

A família do coronel carioca Emílio Carlos Torres dos Santos, de 46 anos, aguarda para os próximos dias a

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chegada do corpo do militar. Eles foram informados pelas autoridades brasileiras que a autópsia deve ser realizada no Brasil, provavelmente no Rio, pois não há condições de realizar este trabalho no Haiti no momento. O corpo dele estaria em um hospital de campanha argentino junto com os demais militares brasileiros mortos.

 

"A mulher dele ficou em choque, mas já está lúcida e tranquila. Ela sempre apoiou o marido em sua carreira, apesar das adversidades e ausências", disse o coronel e professor de Direitos Humanos, Stênio Ribeiro, amigo do coronel Emílio há 20 anos. A vítima deixou duas filhas, de 11 e 7 anos. Até semana passada ele estava com a família em uma pousada na Região dos Lagos, no Rio. Ele voltaria ao país em maio onde reassumiria o cargo de assessor do Exército no Congresso Nacional.

 

Orkut

 

Às 18h dessa quinta-feira, ao perfil do cabo Arí Dirceu Fernandes Júnior, de 24 anos, no site de relacionamentos Orkut já tinha mais de 100 mensagens de despedida. Assim como o soldado Kleber da Silva Santos, de 23 anos, o cabo Dirceu, chamado de Kabelo pelos amigos, morava em São Vicente e morreu no terremoto do Haiti. Os dois militares pertenciam ao 2º Batalhão de Infantaria Leve (BIL), sediado em São Vicente, embarcaram para o Haiti em junho e retornariam da missão de paz no próximo dia 25.

 

As famílias foram comunicadas da tragédia na terça-feira e por enquanto se recusam a atender a imprensa.  O cabo que entrou no exército em 2004 era solteiro e tinha uma filha de três anos de um relacionamento anterior. Também solteiro, o soldado Silva Santos era militar desde 2006 e morava na Vila Nova São Vicente, área carente da cidade.

 

Piraí

 

Um dos mortos no terremoto que devastou Porto Príncipe é o terceiro sargento Rodrigo de Souza Lima, natural de Piraí, cidade do sul fluminense. Aos 23 anos, ele embarcou há cerca de seis meses para o Haiti com outros 1.200 soldados do 11º Contingente das Forças Armadas Brasileiras na Missão das Nações Unidas (ONU). Ele estava lotado no 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena (SP) e voltaria ao país no sábado.

 

Parentes de Lima não quiseram dar entrevistas por estarem muito abalados. Os pais dele estão sob efeitos de sedativos. O prefeito de Piraí, Arthur Henrique Gonçalves Ferrreira, o Tutuca, decretou luto oficial de três dias pela morte do 3º sargento.

 

Alívio

 

A mãe do soldado Caio Henrique Bucioli, de 22 anos e em missão de paz no Haiti desde julho do ano passado, Enecires Bucioli, só conseguiu se sentir um pouco mais aliviada e quebrar o jejum que durava quase 48 horas no fim da tarde desta quinta-feira. Ela ainda não conseguiu falar com o filho, mas teve notícias de que ele está bem, junto aos soldados do 28º Batalhão de Infantaria Leve de Campinas. Desde junho do ano passado, quatro grupos do Exército em Campinas enviaram 280 soldados ao Haiti. As famílias receberam informações de que não havia, até esta quinta-feira, registros de mortos no contingente de Campinas.

 

Esperança e angústia

 

"Um misto de esperança e angústia, agravada pela falta de informações", assim a estudante Kamile Zanin, de 18 anos, definiu o sentimento da família em relação ao pai, o coronel do Exército João Eliseu Souza Zanin, um dos desaparecidos no Haiti. Ele estava em companhia de três outros oficiais, na sede da missão de paz da ONU em Porto Príncipe, quando o edifício desabou durante o terremoto da última terça-feira. Os quatro estão desde então desaparecidos e, embora as chances de sobrevivência sejam remotas, o Exército ainda não confirmou oficialmente suas mortes.

 

Por meio de nota, a mulher do militar, Cely Zanin, pediu "a todos os brasileiros" que rezem pelo seu marido e pelos colegas que estavam com ele no momento da tragédia: O major Márcio Guimarães Martins, originário da Brigada de Paraquedistas do Rio de Janeiro, o tenente-coronel Marcus Vinicius Macedo Cysneiros e o major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho, ambos de Brasília. Cysneiros era vinculado ao gabinete do comandante do Exército, general Enzo Peri e Martins Filho era vinculado ao Departamento de Pessoal.

 

Com informações de Eduardo Kattah, Pedro Dantas, Rejane Lima, Talita Figueiredo, Tatiana Fávaro e Vannildo Mendes

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