Famílias de mortos pelo tráfico criticam candidatos mexicanos

Ativistas e familiares se reuniram nesta segunda-feira com os candidatos a presidente do México e criticaram com dureza a falta de propostas concretas contra a brutal violência do narcotráfico.

IOAN GRILLO, REUTERS

28 Maio 2012 | 20h35

Desde que o presidente Felipe Calderón tomou posse e mobilizou as Forças Armadas para o combate ao narcotráfico, em 2006, a violência relacionada às drogas causou a morte de mais de 55.000 pessoas, incluindo crianças e outros civis mortos por balas perdidas.

Há também 5.000 a 10.000 desaparecidos, e centenas de milhares de mexicanos fugiram das suas casas por causa dos embates entre quadrilhas rivais que disputam territórios, segundo estimativas de ONGs.

"A senhora representa um partido que, depois de 12 anos, deixa como uma das suas heranças um imenso cemitério", disse o poeta Javier Sicilia, presidente do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade, à candidata governista Josefina Vázquez Mota.

Já Enrique Peña Nieto, favorito nas pesquisas para a eleição, "representa o regresso à origem da corrupção das instituições", disse Sicilia. Peña Nieto é o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos ininterruptos até 2000.

Peña Nieto foi vaiado por alguns participantes do encontro por causa da repressão policial contra moradores das localidades de Texcoco e San Salvador Atenco, em 2006, quando ele era governador do Estado do México.

Outro participante disse que, em Estados governados pelo PRI, as autoridades fazem vista grossa a denúncias de pessoas desaparecidas.

Durante o encontro no histórico Castelo de Chapultepec, na capital mexicana, Vázquez pediu "perdão e desculpas por qualquer omissão que tenham ocorrido em nossos governos (do partido direitista PAN, no poder desde 2000)".

O grupo se reuniu separadamente com os candidatos. Um dos depoimentos ouvidos foi o de Ignacia González, que há meses procura seus dois filhos desaparecidos, e que denunciou os maus tratos policiais contra sua família.

"Você não sabe como é ir à delegacia de polícia e que mandem que você se cale. Não sabe como é perder um filho como todos os que estão aqui, porque perder um filho é pior do que morrer você mesmo", acrescentou a mulher.

Sicilia criou o movimento de protesto depois de um filho seu ser assassinado junto com amigos em 2010 no Estado de Morelos, ao sul da capital.

Desde então, ele realiza "caravanas pela paz" que receberam a adesão de centenas de parentes de desaparecidos ou assassinados no país inteiro.

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