Famílias dos mineiros chilenos encerram vigília no acampamento

Encerrando o que muitos perceberam como uma missão espiritual, as famílias dos 33 mineiros chilenos resgatados desfizeram as barracas em que viveram os últimos dois meses e se preparavam para a vida fora do "Acampamento Esperança" - e de seu intenso companheirismo.

TERRY WADE, REUTERS

14 de outubro de 2010 | 16h36

Elas se concentraram no terreno vazio ao redor da mina San José depois do desabamento do dia 5 de agosto, temendo que todos os mineiros estivessem mortos, mas se recusaram a desistir. Vários dos parentes são muitos religiosos e rezavam quase que ininterruptamente pelos seus homens.

Agora, com o fim da extraordinária operação de resgate, começaram a recolher suas roupas, lençóis, pratos e panelas na quinta-feira e deixaram para trás uma pilha de lixo e sinais com fotos dos mineiros e mensagens de apoio.

Alfonso Avalos, cujos filhos Florencio e Renan estavam entre os que ficaram presos por 69 dias, bebia chá do lado de uma fogueira não muito longe do lugar de resgate, onde os homens surgiram em cenas felizes na quarta-feira.

Ele planejava passar pelo hospital da cidade de Copiapó ainda na quinta-feira para buscar seus filhos, e em seguida fazer uma longa caminhada de volta para a casa no sul do Chile, com quase três dezenas de integrantes da família.

"Nós viemos aqui para buscá-los e queremos voltar para casa todos juntos", afirmou ele.

Daniel Marin, amigo da família, estava sentado em silêncio em um banquinho, escrevendo uma carta a todos os mineiros para manifestar sua solidariedade e sua fé em Deus.

Ele estava dividido - feliz com o "milagre" do qual fez parte, mas relutante em deixar o lugar que ele sente que agora está imbuído com um senso do divino.

"Sinto que cumpri minha missão aqui, então é hora de partir", afirmou Marin.

Dia e noite, ao longo das últimas dez semanas, vigílias religiosas uniram as famílias aos engenheiros e às equipes de resgate que trabalhavam sem cessar para trazer os mineiros a salvo.

Quando as equipes de busca descobriram que os mineiros estavam vivos 17 dias depois do colapso da mina, a cidade de tendas aumentou rapidamente de tamanho. Ela foi chamada de "Acampamento Esperança" e alguns parentes dizem agora que querem transformar o terreno inóspito em um santuário.

A maioria das pessoas do acampamento elogiou o presidente Sebastián Piñera por liderar o esforço de resgate, o que deve se traduzir em apoio a ele internamente e passar a imagem do Chile no exterior como o país mais bem organizado da América Latina.

Ariel Ticona, um dos últimos mineiros a sair para a superfície na noite de quarta-feira, disse a Piñera: "Este é um grande país e juntos podemos fazer coisas ótimas."

Mas Flor Alcayaga, cujo sobrinho Victor Zamora estava entre os resgatados, disse que o governo talvez tivesse levado mais tempo para encontrar e resgatar os mineiros não fosse a presença de tantos amigos e parentes.

"As famílias acampadas aqui pressionaram Piñera a começar as escavações", disse ela na noite de quarta-feira, enquanto ela e outros parentes se reuniam na frente de uma TV e assistiam ao vivo as imagens dramáticas do resgate.

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