Farc anunciam sucessor de Raúl Reyes no comando da guerrilha

Joaquín Gómes, comandante de bloco no sul, ocupa cargo do líder morto pelo Exército colombiano no Equador

Agências internacionais,

04 de março de 2008 | 12h30

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram o sucessor de Raúl Reyes, considerado o número dois na hierarquia da guerrilha. Milton de Jesús Toncel, mais conhecido Joaquín Gómez, assumirá o cargo do chefe assassinado em uma operação do Exército colombiano em território equatoriano, que desencadeou uma crise diplomática sem precedentes na região.   Veja também:  Dê sua opinião sobre o conflito   Repercussão na imprensa internacional      Por dentro das Farc  Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Colômbia deve invocar lei anti-terror da ONU na OEA Farc tentavam obter material radioativo, diz Colômbia Venezuela anuncia fechamento da fronteira com a Colômbia Colômbia deve 'pedido de desculpa' ao Equador, afirma Amorim Análise: 'É possível que as Farc se desarticulem'     Joaquín Gómez é comandante do chamado Bloco Sul, um dos mais ativos da organização armada. O comunicado da direção da guerrilha foi divulgado pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP, sigla em espanhol), que geralmente difunde as comunicações da facção.   "Informamos que o comandante Joaquín Gómez ingressa como membro pleno do Secretariado do Estado Maior Central", disse a direção rebelde em comunicado datado de 2 de março. A guerrilha também "notifica oficialmente a morte de Raúl Reyes, assegurando que este novo fato, dada 'a aleivosia e o cinismo' de Álvaro Uribe Vélez,  prejudicou gravemente as possibilidades da troca humanitária", em referência ao presidente colombiano.   Os rebeldes afirmaram ainda que Reyes morreu "cumprindo a missão de concretizar através do presidente (da Venezuela, Hugo) Chávez, uma reunião com o presidente (da França, Nicolas) Sarkozy, onde avançariam as buscas por uma solução para a situação de Ingrid Betancourt e o objetivo do acordo humanitário". A ex-candidata à presidência colombiana Ingrid Betancourt foi seqüestrada pelas Farc em fevereiro de 2002. Ele também tem cidadania francesa.   Na segunda, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, revelou que Raúl Reyes era o principal interlocutor dos guerrilheiros junto ao governo francês nas conversações para a libertação de Betancourt.   Segundo o porta-voz do Ministério do Exterior francês, o governo colombiano sabia dos contatos com Reyes. "No marco desses esforços que nós - Espanha, Suíça, França - fazíamos, tivemos contatos com Raúl Reyes, e posso dizer a vocês que os colombianos estavam conscientes disto",  informou a porta-voz Pascale Andreani.   O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que as gestões que mantinha com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação de mais 12 reféns, entre os quais estaria a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, foram frustradas pelo governo da Colômbia com o ataque à guerrilha em território equatoriano. "Lamento comunicar-lhes que as conversas estavam bastante avançadas para libertar 12 reféns, entre eles Ingrid Betancourt. Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias", afirmou Correa, na noite desta segunda-feira, no Palácio de Governo, em Quito.   Correa, que rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, afirmou que a libertação de Betancourt e de outros 11 reféns poderia ter motivado os ataques que resultaram na morte de Raúl Reyes, o número 2 das Farc e responsável pelas negociações de libertação dos seqüestrados. "Não podemos descartar que essa foi uma das motivações para o ataque por parte dos inimigos da paz", disse o presidente equatoriano, em referência ao governo da Colômbia.   Classificando de "mentira" a explicação de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que apresentou a operação realizada no sábado como de autodefesa "em um suposto combate que não houve", Correa acusou neste domingo os militares colombianos de "assassinato".

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