Efe
Efe

Farc dão provas de vida de militar sequestrado há 12 anos

Em vídeo, soldado sequestrado desde 1997 pede que Uribe "abra as portas" para conseguir sua liberdade

Efe,

24 de setembro de 2009 | 07h59

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) entregaram à congressista opositora Piedad Córdoba provas de vida do cabo do Exército Pablo Emilio Moncayo, sequestrado há mais de 12 anos pelos rebeldes e que será libertado de forma unilateral junto a outro soldado. Em um vídeo, ele pede ao presidente Álvaro Uribe que "abra as portas" para conseguir sua libertação e a dos demais reféns em poder da guerrilha.

 

Veja também:

especialEspecial: Por dentro das Farc

 

Moncayo foi sequestrado dia 21 de dezembro de 1997 na tomada da Colina Patascoy (Nariño, fronteira com o Equador) e é um dos dois militares que mais tempo levam sequestrados pelas Farc. "Pusemos tempo valioso de nossas vidas com abnegação e sacrifício para receber como pagamento a ingratidão e o esquecimento", se queixa o sequestrado na prova de vida em alusão à suposta falta de apoio do governo.

 

"Senhor presidente Uribe, abra as portas que quero ser livre", assegura Moncayo nas imagens. "Não é justo que se nos negue mais o direito a sermos livres", acrescenta o militar, quem pediu ainda que "não se sigam pondo impedimentos" a sua libertação e à dos demais cativos.

 

No vídeo, de uns seis minutos de duração, o militar dedica alguns segundos a saudar a sua família, especialmente a seu pai, Gustavo Moncayo, a quem lhe expressa seu profundo respeito e admiração "pelo que fez pela minha libertação". O Professor Moncayo, ou "Caminhante pela paz", como é conhecido o pai do refém, realizou nos últimos anos longas caminhadas pelo país, com correntes ao pescoço, para chamar a atenção sobre a dramática situação na qual vivem os sequestrados colombianos.

 

O pai do refém disse que o anúncio das provas lhe proporciona "uma alegria imensa". "Solicito à Igreja Católica, à Cruz Vermelha Internacional e à própria senadora (Córdoba), disponham a logística para a libertação de Pablo Emilio", especificou. Ele ainda lembrou que as últimas provas de vida do militar foram recebidas "há 12 meses".

 

No sábado passado, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, autorizou a entrega unilateral de reféns anunciada pelas Farc, ao tempo que reiterou que para as libertações devem estar presentes além de Córdoba, a Igreja Católica e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Essa decisão se oficializou após uma reunião entre Uribe com familiares de policiais e militares em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

 

Os rebeldes anunciaram há meses sua disposição a libertar de forma unilateral ao cabo do Exército Pablo Emilio Moncayo, sequestrado há quase doze anos, e ao soldado Josué Daniel Calvo, assim como a entregar o cadáver do maior da Polícia Julián Ernesto Guevara, que morreu em poder da guerrilha. Inicialmente, as Farc exigem que na comissão de recebimento estejam Córdoba e o professor Moncayo.

 

Nas últimas semanas, foram divulgaram provas de vida de 21 dos 23 policiais e militares sequestrados (o governo diz que são 24) que as Farc pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos através de uma "troca humanitária". Nas mais recentes, dez uniformizados, alguns reféns há mais de uma década, aparecem com pesadas correntes ao pescoço e visivelmente debilitados.

Tudo o que sabemos sobre:
FarcColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.