Efe
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Farc dizem que continuarão capturando integrantes das Forças Armadas

Grupo guerrilheiro anunciou trégua unilateral de 2 meses e depois que ela venceu recomeçaram seus ataques

Reuters

30 de janeiro de 2013 | 15h13

BOGOTÁ - A guerrilha colombiana Farc anunciou que continuará capturando integrantes das Forças Militares e da Polícia Nacional, apesar da negociação de paz que mantém com o governo em Cuba, o que pode intensificar o conflito interno armado.

A posição do grupo rebelde, considerado terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia, foi anunciada depois do sequestro no fim de semana de dois policiais em uma região montanhosa do sudoeste da Colômbia, no primeiro sequestro de integrantes das Forças Armadas que comete em pleno diálogo de paz.

"Reservamo-nos o direito de capturar como prisioneiros os integrantes da força pública que se renderam em combate. Eles se chamam presos de guerra, e esse fenômeno se dá em qualquer conflito no mundo", disseram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em comunicado na noite de terça-feira em Havana.

A advertência deixou a porta aberta para cometer novas detenções de integrantes das Forças Armadas, o que significaria um aumento do confronto, apesar da negociação de paz com o governo do presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

As Farc declararam em 20 de novembro, no início do diálogo, uma trégua unilateral de dois meses, e depois que ela venceu recomeçaram seus ataques contra a infraestrutura econômica e as Forças Armadas do país diante da negativa do governo de acordar um cessar-fogo bilateral.

O governo manteve as operações militares contra os rebeldes e em meio à trégua unilateral realizou bombardeios que mataram ao menos 34 guerrilheiros.

O grupo rebelde, acusado de obter rendas milionárias do narcotráfico embora seus chefes neguem, anunciou em fevereiro de 2012 a suspensão de sequestros econômicos, uma de suas principais fontes de renda, uma decisão que facilitou o início da negociação de paz.

Mas as Farc não mencionaram nessa ocasião a suspensão dos sequestros de membros das Forças Armadas nem de políticos, que usaram no passado para pressionar uma troca destes reféns por guerrilheiros presos e para ganhar protagonismo. "Em diversas ocasiões pedimos ao governo um intercâmbio de prisioneiros de guerra, que foi respondido de forma negativa", garantiram as Farc em comunicado.

O grupo rebelde chegou a ter em seu poder mais de 60 reféns por motivos políticos, incluindo militares, policiais, ex-congressistas, três norte-americanos e a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. Alguns foram resgatados pelas Forças Armadas, enquanto outros fugiram ou morreram em cativeiro. O restante foi libertado pela guerrilha, que tentava assim limpar sua imagem deteriorada e ter protagonismo político, segundo analistas.

No início de abril de 2012, as Farc entregaram a uma missão humanitária seis policiais e quatro militares que tinham sequestrado havia mais de uma década, os últimos membros das forças de segurança que continuavam em seu poder.

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