Farc dizem que destino de general capturado está nas mãos da liderança do grupo

Os rebeldes colombianos que negociam um acordo de paz em Havana não podem ordenar a libertação de um general do Exército capturado por seus companheiros e irão se curvar ao comandante do grupo, disse um líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nesta quarta-feira.

ROSA TANIA VALDÉS E HELEN MUR, REUTERS

19 Novembro 2014 | 19h26

O governo colombiano suspendeu as conversas de paz que acontecem em Cuba até que o general Rubén Darío Alzate – sequestrado durante o final de semana quando saía de um barco na região costeira de Choco – seja solto pelo grupo rebelde.

O impasse desencadeou uma crise nas conversas, que entraram em seu segundo ano nesta quarta-feira, enquanto o conflito mais duradouro da América Latina, que matou mais de 200 mil pessoas ao longo de 50 anos, continua.

A equipe de negociação dos rebeldes disse que a decisão de libertar Alzate e dois outros reféns está nas mãos do secretariado de sete membros encabeçado por Rodrigo Londoño, conhecido pelo codinome Timochenko.

“Não somos nós quem damos esta ordem. O secretariado das Farc, através de seu comandante, irá assumir este assunto”, declarou o negociador Iván Márquez aos repórteres.

Alzate é o refém militar de mais alta patente já capturado pelas Farc. Um soldado e uma advogada também foram levados junto com ele.

A mídia colombiana, citando fontes não identificadas, tem dito que os esforços para soltar Alzate estão em andamento, e informou que ele pode ser libertado nos próximos dias.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que suspendeu abruptamente as conversas até que o militar esteja livre, usou um tom mais conciliador em um discurso no Estado de Tolima nesta quarta-feira, expressando esperança de que as tratativas sejam retomadas.

“Precisamos abandonar as armas, a violência e pôr fim a este conflito armado”, disse Santos na cidade de Ataco, ao sul de Bogotá. “É por isso que espero que este impasse que surgiu nas negociações de Havana seja resolvido logo”.

Uma grande operação de resgate na densa floresta de Choco está em andamento desde domingo, mas uma iniciativa militar para libertar Alzate pode colocar os reféns em risco, já que não está claro se ainda existem ordens para que os combatentes das Farc matem os cativos no caso de uma tentativa de resgate.

Londoño viajou para Cuba em segredo várias vezes no ano passado para se encontrar com sua equipe de negociação, de acordo com autoridades colombianas.

Santos apostou sua presidência na pacificação de seu país, sendo reeleito este ano na disputa com um adversário de direita que ameaçou descartar as conversas e acabar com as Farc no campo de batalha.

(Reportagem adicional de Julia Symmes Cobb)

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