Farc dizem que governo da Colômbia usa mercenários

Líder rebelde afirma que americanos, britânicos e israelenses estão sendo pagos para derrubar guerrilha

Hugh Bronstein, REUTERS

24 Julho 2007 | 14h31

O governo colombiano pode estar usando mercenários estrangeiros para tentar resgatar os reféns mantidos em cativeiro por rebeldes de esquerda, entre eles a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, afirmou na segunda-feira, 23, um membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Um mês depois de 11 parlamentares terem sido mortos, no que segundo a guerrilha foi uma tentativa de resgate frustrada por parte de uma força militar não-identificada, o comandante Raúl Reyes, das Farc, afirmou que há "indicações" da presença de unidades multinacionais de mercenários na Colômbia. "Há muitos rumores de unidades de comando, incluindo mercenários americanos, britânicos e israelenses que estariam penetrando na selva e buscando maneiras de derrubar as Farc", disse Reyes à TV TeleSUR, com sede em Caracas, na noite de segunda-feira. Os mercenários estariam tentando resgatar os reféns e alcançar outros objetivos "criminais", nas palavras de Reyes. "Isso obviamente está sendo ordenado por Álvaro Uribe (o presidente colombiano)", disse Reyes. "É uma possibilidade que existe, e é por isso que as chamamos de forças não-identificadas." Não houve comentários imediatos do governo sobre a afirmação. Dias antes, Reyes havia declarado que forças estatais e "paraestatais" tinham participado da tentativa de resgate do dia 18 de junho, na qual 11 parlamentares mantidos pelas Farc como reféns foram mortos. Especialistas dizem que as mortes podem ter sido causadas pela incursão de forças paramilitares ilegais na área onde as Farc mantêm os reféns. Uribe deve grande parte de sua popularidade ao combate à criminalidade e à parceria com os Estados Unidos na luta contra a guerrilha e o narcotráfico.     Estratégia bem sucedida "As Farc estão sentindo as consequências da estratégia bem-sucedida de Uribe e sabem que sua imagem foi afetada pela morte dos parlamentares no mês passado", observou Pablo Casas, analista do instituto Segurança e Democracia, de Bogotá. "Assim, eles estão tentando mostrar outros possíveis protagonistas da história para desviar a atenção do fato de terem sido responsáveis pelas mortes dos reféns." Os 11 parlamentares tinham sido sequestrados em 2002. Os guerrilheiros fingiram-se de soldados e levaram os políticos para um ônibus, alegando haver uma ameaça de bomba no prédio do governo onde eles estavam, em Cali. Betancourt foi capturada no mesmo ano, quando concorria à Presidência.

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