Farc dizem que missão francesa para reféns 'não é procedente'

Comando da guerrilha adverte governo francês por lançar campanha sem antes negociar com rebeldes

Efe,

08 de abril de 2008 | 14h13

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram que "não é procedente" a missão médica iniciada pela França para prestar assistência a Ingrid Betancourt e a outros reféns em mau estado de saúde.  Veja também:Brasil pede libertação de Ingrid e demais reféns das FarcIngrid pode não estar tão doente quanto se pensava, diz FrançaCercadas, Farc vêem opções se esgotaremConheça a trajetória de Ingrid Betancourt Por dentro das Farc Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região   Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 8, pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP), o comando central da guerrilha advertiu que o governo francês lançou há sete dias a campanha sem antes negociar com os rebeldes. A missão, que consiste em um avião ambulância, foi autorizada em 1º de abril pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, em conversa telefônica com o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, ambos preocupados com versões que indicavam o agravamento do estado de saúde da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. Na nota, datada de 4 de abril nas "Montanhas da Colômbia", a guerrilha revelou que a iniciativa da operação humanitária francesa tinha sido abordada em meados de janeiro com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). "Pelas mesmas razões expostas ao CICV em 17 de janeiro, a missão médica francesa não é procedente e muito menos quando não é resultado de negociação, mas da má fé de Uribe perante o Governo do Palácio do Eliseu e uma mentira desalmada às expectativas dos parentes dos prisioneiros", ressaltou o comando central rebelde. "Não agimos sob chantagens nem sob o impulso de campanhas midiáticas", afirmou. "Se no início do ano o presidente Uribe tivesse desmilitarizado Pradera e Florida - localidades do sudoeste - por 45 dias, tanto Ingrid Betancourt quanto os militares e guerrilheiros presos já teriam recuperado sua liberdade, e seria a vitória de todos", disse a guerrilha. A organização se referiu à sua exigência de um território sem tropas a qual ratificou em 27 de fevereiro, ao colocar em liberdade quatro ex-congressistas seqüestrados, na segunda e última entrega unilateral de reféns. A primeira aconteceu no dia 10 de janeiro, quando os rebeldes libertaram Clara Rojas, ex-companheira de chapa de Betancourt como candidata à Vice-Presidência, e a ex-legisladora Consuelo González de Perdomo. As seis libertações foram um "gesto de generosidade e vontade política das Farc, não de fraqueza ou resultado de uma pressão", apontou o comando rebelde. Além disso, continuou, "obedeceram a uma decisão soberana da insurgência das Farc estimulada pelo persistente trabalho humanitário do presidente (venezuelano) Hugo Chávez e da senadora (colombiana) Piedad Córdoba." Ambos atuaram até o final de novembro como mediadores do acordo humanitário com o governo de Uribe, ao qual os rebeldes atrelavam a entrega de 40 reféns à libertação de 500 guerrilheiros presos, entre eles dois extraditados aos Estados Unidos. Troca humanitária  Desde finais de fevereiro, "estivemos à espera do decreto presidencial ordenando a desmilitarização de Pradera e Florida para concretizar, ali, com a garantia da presença guerrilheira, o acordo de troca humanitária", acrescentou a cúpula insurgente. "Os guerrilheiros presos nas prisões da Colômbia e dos Estados Unidos são nossa prioridade", reiterou. Além disso, o grupo lamentou que quando propiciava "fatos palpáveis em direção à troca de prisioneiros, o presidente Uribe planejava e executava o atroz assassinato do comandante Raúl Reyes, ferindo de morte a esperança do acordo humanitário e de paz". Reyes, apelido de Luis Edgar Devia, foi morto em 1º de março em um bombardeio colombiano ao acampamento da guerrilha nas selvas do norte equatoriano. Além do porta-voz internacional das Farc, outras 25 pessoas morreram no ataque, entre elas quatro mexicanos, um equatoriano e um militar colombiano. (Matéria ampliada às 18h35)

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