Farc dizem que morte de Reyes prejudica acordo por reféns

A maior guerrilha da Colômbia anunciounesta terça-feira que a morte em um bombardeio de seu dirigenteRaúl Reyes representou um sério revés na possibilidade de umacordo humanitário para a libertação de 40 reféns políticos,incluindo a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)garantiram que o ataque ordenado pelo presidente Álvaro Uribeem território equatoriano, que desencadeou uma crisediplomática que também envolve Venezuela, fechou uma saídapolítica para o conflito armado do país. "A traição do ataque, a perversidade e o cinismo mentirosode Álvaro Uribe para deformar as circunstâncias da morte docomandante Raúl, não só tensionam perigosamente as relaçõesdeste governo com as repúblicas irmãs, mas golpearam gravementeas possibilidades de intercâmbio humanitário", disseram as Farcem um comunicado. Raúl Reyes e pelo menos outros 20 rebeldes morreram nosábado em um bombardeio das Forças Armadas da Colômbia emterritório do Equador. A crise começou depois que o presidenteequatoriano, Rafael Correa, qualificou o ataque de um massacreque violou sua soberania. As Farc garantiram que Reyes morreu enquanto cumpria umamissão determinada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez --uma entrevista com o presidente francês, Nicolás Sarkozy, com oobjetivo de buscar uma solução para a situação de Betancourt edos demais reféns. Chávez se envolveu na crise ao condenar a violação dasoberania do Equador e oferecer apoio ao governo equatoriano,um dos seus aliados mais próximos. O grupo guerrilheiro anunciou ter nomeado o comandanteJoaquín Gómez como novo integrante do secretariado, emsubstituição a Reyes. Integrado por sete dirigentes da guerrilha, o secretariadoé o órgão máximo de direção política e militar do grupo,formado por cerca de 17 mil combatentes e classificado pelosEstados Unidos e União Européia como organização terroristafinanciada pelo narcotráfico. As Farc mantêm 40 políticos sequestrados e buscam um acordohumanitário com Uribe para trocá-los por 500 rebeldes presos. No entanto, as posições inflexíveis dos dois ladosimpediram um acordo para pôr fim ao drama dos reféns, entre osquais alguns que completaram 10 anos em cativeiro emacampamentos no meio da selva. A guerrilha exige que o governo retire as Forças Armadas deuma zona de 780 quilômetros quadrados para negociar o acordo detroca de reféns por presos, mas o presidente Uribe não aceitaessa proposta. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.