Farc dizem que resgate de Betancourt foi traição

As Forças Armadas Revolucionárias daColômbia (Farc) afirmaram nesta sexta-feira que o resgate daex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de trêsnorte-americanos e outros 11 reféns foi uma fuga resultante datraição de dois líderes rebeldes encarregados de vigiá-los. O resgate dos reféns foi uma ação bem-sucedida para opresidente Alvaro Uribe, que combate os rebeldes com ajudafinanceira norte-americana. A guarda dos reféns era feita por Antonio Aguillar,conhecido como César, e Alexander Farfan, conhecido comoEnrique Gafas. Os dois levaram os reféns para um helicópteroque os levaria até o líder das Farc. Na verdade, o helicópteroera controlado por agentes da inteligência colombiana. Segundo o governo, os dois guardiães foram enganados epensavam que estavam na companhia de um grupo simpático aosrebeldes. Mas as Farc os acusam de traição. "A fuga dos 15 prisioneiros de guerra, na quarta-feirapassada 2 de julho, foi consequência direta da desprezívelconduta de César e Enrique, que traíram seu compromissorevolucionário e a confiança que neles foi depositada",disseram as Farc em um comunicado. O comunicado, assinado pelo secretariado do grupo, foipublicado no site da agência de notícias Bolivarian, quecostuma publicar mensagens dos guerrilheiros. Ambos os rebeldes capturados na semana passada devem serextraditados para os Estados Unidos, onde seriam julgados porsequestro. A versão das Farc contrasta com a dos advogados de César ede Gafas. Eles dizem que o Exército colombiano se infiltrou emseu sistema de comunicações e decifrou os códigos que aguerrilha utilizava. Já alguns veículos da imprensa disseram que o governo pagoupelos reféns, o que foi negado pela Colômbia. Apesar de lamentar a traição, as Farc se dizem dispostas anegociar. "Independentemente deste episódio inerente a qualquerconfronto político e militar, em que há vitórias e revezes,mantemos nossa política de fazer acordos humanitários quebusquem a troca e protejam a população civil dos efeitos doconflito", escreveram. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.