Farc e fiasco em reformas derrubam popularidade de Santos na Colômbia

Dois anos depois de o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, assumir o poder, o ressurgimento dos ataques das guerrilhas de esquerda e o fracasso da reforma no Judiciário derrubaram as suas taxas de aprovação e ameaçam os planos de reforma econômica.

HELEN MUR, Reuters

10 de julho de 2012 | 16h22

O apoio a Santos no Congresso diminuiu e ele deverá ter menos força para aprovar as reformas fiscal e da previdência.

Nascido em uma das famílias mais poderosas da Colômbia, o economista e ex-editor de jornal educado nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha assumiu o poder em agosto de 2010 após uma vitória esmagadora nas eleições.

No final daquele ano, Santos tinha um impressionante índice de aprovação de 76 por cento depois de as tropas matarem Mono Jojoy, líder militar do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Apesar disso, a mais recente pesquisa Gallup mostrou uma queda para 48 por cento em junho, enquanto outra sondagem no fim de semana, do Centro Nacional de Consultoria, indicou uma queda de cinco pontos em relação aos 66 por cento do mês anterior.

Os opositores afirmam que Santos permitiu que as Farc, o grupo rebelde mais antigo da América Latina, financiado pelo tráfico de drogas, se reconstruíssem e intensificassem os ataques à infraestrutura e aos centros urbanos.

O ex-presidente Álvaro Uribe, que escolheu Santos para ser seu ministro da Defesa e apoiou sua candidatura à Presidência, é agora seu crítico mais feroz.

Nos primeiros quatro meses do ano, os ataques das Farc aumentaram 66 por cento em comparação com o mesmo período de 2011.

"Ele não é duro o suficiente na segurança", disse Pedro Rincón, de 51 anos, que vende sucos em uma rua de Bogotá. "Ele abandonou a luta contra as Farc para interesses comerciais na Justiça."

O fiasco com relação a um projeto de reformas com a intenção de modernizar o caótico sistema judiciário da Colômbia se somou aos problemas de Santos.

(Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta, Nelson Bocanegra e Katherine McKeon)

Mais conteúdo sobre:
COLOMBIASANTOSPOPULARIDADE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.