Farc enviam provas de vida de dois reféns 'passíveis de troca'

Major da Polícia Javier Solorzano e do cabo do Exército Salín Antonio Sanmiguel estão em cativeiro

Efe,

17 de agosto de 2009 | 19h54

A senadora da oposição colombiana Piedad Córdoba divulgou nesta segunda-feira, 17, provas de vida do major da Polícia Javier Solorzano e do cabo do Exército Salín Antonio Sanmiguel enviadas pelas Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (Farc), que mantêm os dois militares em cativeiro.

 

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Em vídeo de cerca de 15 minutos, os dois reféns pedem ao Governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, e à comunidade internacional "que não os esqueçam" e agradecem pelas gestões de Córdoba em favor dos sequestrados.

 

Os dois reféns são os agentes mais recentes que foram incluídos na lista de militares e policiais que as Farc pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos.

 

Sanmiguel foi sequestrado em 23 de maio de 2008 no departamento de Tolima, centro, enquanto Solorzano é refém da guerrilha desde junho de 2007, quando foi preso em um balneário do sudoeste da Colômbia.

 

"Peço à Colômbia que não nos esqueçam, por favor", disse Solorzano, que, no momento de seu sequestro, era comandante da Polícia da Flórida, departamento de Valle, sudoeste.

 

No vídeo, aparentemente gravado em julho, eles aparecem em uma mesa com uma tela tipo militar de fundo, encorajam seus familiares e enviam uma mensagem de esperança aos demais companheiros que estão em poder dos guerrilheiros.

 

"Está o milagre do acordo humanitário, por isso aqui nesta selva exijo a todos aqueles que têm em seu poder as decisões para que nós possamos retornar à vida, que façam algo por nós, que nos ajudem, que se deem conta de que nós estamos aqui sofrendo", acrescentou o oficial da Polícia.

 

Sanmiguel afirmou que segue "forte e esperançoso" em que será libertado, assim como todos os sequestrados.

 

"Sobre o tema humanitário, mamãe, e embora seja um pouco difícil dizer, pelo fato de ser militar, sei que sabe que eu sou o último dos passíveis de troca, do reduzido grupo dos passíveis de troca", afirmou, dirigindo-se a sua mãe, Olga Valderrama.

 

Na casa da senadora, no centro de Bogotá, onde foram divulgadas as provas de vida, Valderrama disse que viu seu filho bem e com boa saúde.

 

Fontes do grupo Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), liderado por Córdoba, confirmaram que nos próximos dias chegarão novas provas de vida de outros reféns em poder dos rebeldes.

 

Além de outras pessoas, as Farc mantêm em cativeiro 23 militares e policiais (o Governo afirma que são 24), alguns com mais de 12 anos de cativeiro, que pretendem trocar por guerrilheiros presos na Colômbia e nos Estados Unidos.

 

Equador

 

O ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, desprezou a possibilidade de seu Governo conceder às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) o status de grupo "beligerante" e disse que Quito considera o grupo "absolutamente irregular".

 

Ponce afirmou em entrevista publicada pela revista "Vanguardia" que essa opção "não foi evocada nem será", apesar de ter sido o próprio presidente equatoriano, Rafael Correa, quem fez referência a essa possibilidade, em abril.

 

Se as Farc "libertarem incondicionalmente os reféns, se cessarem atentados, bombardeios que possam ser considerados terroristas, se cumprirem os códigos de guerra, se cumprirem os tratados de Genebra, se controlarem um território e tiverem um Exército disciplinado e organizado, aí poderíamos falar de reconhecê-las como grupo beligerante", ressaltou Correa na época.

 

No entanto, Ponce disse ao "Vanguardia" que "até a Venezuela já renunciou a essa possibilidade" e que, para o Governo do Equador, "essa tese não está em discussão".

 

Para o ministro equatoriano, "é evidente a vinculação das Farc com o tráfico de drogas", mas também afirmou que se trata de um grupo "que tem uma origem política muito clara".

 

"Esse duplo ingrediente (narcotráfico e política) pode levar setores da esquerda latino-americana a se equivocar e cair no equívoco de que uma relação com as Farc é possível só em termos de uma relação política", afirmou.

 

Ele, porém, reiterou que "para o Equador está muito claro o caráter absolutamente irregular" da guerrilha, e assegurou que "a relação histórica e lógica do Equador é com o Governo colombiano".

 

Nesse contexto, Ponce afirmou que após um "escalonamento das acusações, baseadas em supostos testemunhos" de guerrilheiros nos quais se sugeria uma relação do Governo do presidente equatoriano, Rafael Correa, com as Farc, é necessário "propor à Colômbia outros cenários".

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