Farc estão próximas de soltar até três reféns, diz Cuba

Segundo agência estatal, assessora de Ingrid Betancourt e outras duas pessoas serão entregues a Hugo Chávez

Associated Press, REUTERS

18 de dezembro de 2007 | 16h32

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram que vão libertar três reféns e entregá-los ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, noticiou nesta terça-feira, 18, a agência de notícias estatal cubana Prensa Latina.   Mãe volta a pedir libertação de Ingrid  Uribe acusa político dos EUA por falta de acordo   Segundo a agência, a informação foi recebida por e-mail pelo seu correspondente em Bogotá, Rafael Calcines. No texto, as Farc afirmam que a assessora de Ingrid Betancourt, Clara Rojas, o filho dela Emmanuel e a ex-parlamentar Consuelo Gonzalez serão libertados em breve. Ingrid, que tem cidadania francesa, concorria à Presidência da Colômbia quando foi seqüestrada.   A mensagem, datada de 9 de dezembro, não dá indicações sobre a data em que os reféns podem ser soltos, mas afirma que serão entregues a "Chávez ou alguém que ele indicar".   A notícia foi recebida com júbilo pelos familiares dos reféns e deve ampliar a pressão sobre o presidente colombiano, Alvaro Uribe, que demitiu Chávez das negociações para a obtenção de um acordo humanitário com os guerrilheiros. O líder venezuelano intermediava uma tentativa de trocar os reféns por rebeldes das Farc presos na Colômbia.   "A ordem para libertá-los já foi dada", diz o comunicado obtido pela Prensa Latina.   Clara foi capturada junto com Ingrid em fevereiro 2002, durante a campanha presidencial. No ano passado, o jornalista colombiano Jorge Enrique Botero publicou um livro no qual afirmava que a assessora da ex-candidata teve Emmanuel no cativeiro, após um relacionamento com um dos membros da guerrilha.   A assessora de Ingrid foi vista pela última vez em um vídeo divulgado pelos rebeldes em 2002.   Já a parlamentar Consuelo Gonzales foi seqüestrada em setembro de 2001.   "Eu não posso dizer que estou feliz até que eles estejam de volta", disse a filha de Consuelo, Patrícia Gonzales.   Surgidas na década de 1960 como um exército revolucionário de orientação marxista, as Farc querem trocar 46 de seus reféns por centenas de guerrilheiros presos pelo governo colombiano. Alguns dos cativos estão em poder da guerrilha há mais de dez anos.   Vitória para Chávez   A entrega dos seqüestrados ao presidente Chávez pode ser interpretada como uma vitória para o líder venezuelano, que foi retirado de uma tentativa de negociação com as Farc em novembro por Alvaro Uribe, o presidente da Colômbia.   Segundo Uribe, Chávez descumpriu as regras da negociação ao entrar em contato direto com militares colombianos, passando por cima da intermediação de Bogotá.   Muitos parentes dos reféns, no entanto, criticaram a decisão do presidente colombiano. Para eles, os esforços do líder venezuelano foram os primeiros a dar resultado após anos de estagnação nas negociações.   "Eu não tenho a menor dúvida de que isso é resultado da mediação do presidente Chávez e de Piedad", disse à TV estatal venezuelana a mãe de Ingrid, Yolanda Pulecio, referindo-se também à senadora esquerdista colombiana Piedad Córdoba, responsável pela entrada do presidente venezuelano nas negociações.   "A única coisa que peço aos guerrilheiros é que pensem na minha filha, que está sofrendo muito."   No comunicado, às Farc também afirmam que a decisão de libertar os reféns é uma "compensação" a Chávez e às famílias dos seqüestrados.   Oferta colombiana   As pressões para a resolução do caso ganharam força no final de novembro, depois da divulgação de um vídeo em que Ingrid aparece profundamente abatida e aparentemente doente. As imagens vieram à tona depois de os guerrilheiros se comprometerem com Chávez em oferecer uma prova de vida dos reféns.   Nas últimas semanas, os governos da França, Brasil e até a recém empossada presidente argentina, Cristina Kirchner, também se envolveram nas tentativas de obtenção de um acordo humanitário.   Pressionado, Uribe ofereceu recentemente um "ponto de encontro" de 250 quilômetros quadrados em algum ponto do interior da Colômbia para que rebeldes e autoridades desarmadas negociem uma possível troca de presioneiros.   Em seu comunicado desta terça-feira, no entanto, as Farc rejeitaram a oferta, classificando-a de "inaceitável". Os guerrilheiros - que reivindicam uma área maior no sul da Colômbia e que não concordam em irem desarmados - chamaram o presidente colombiano de "inimigo da paz".

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