Farc libertam general do Exército e outras duas pessoas

Farc libertam general do Exército e outras duas pessoas

Captura havia levado o presidente Juan Manuel Santos a suspender as negociações de paz em andamento com o grupo rebelde

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2014 | 13h39

A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertou neste domingo, 30, na Colômbia, um general do Exército e outras duas pessoas detidas há duas semanas e propôs um “armistício” para evitar novas interrupções do processo de paz, suspenso pelo governo depois das capturas.

O general Rubén Darío Alzate, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego foram entregues a uma missão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no povoado de Vegáez, às margens do Rio Arquía, a noroeste de onde foram capturados, no dia 16. A Cruz Vermelha informou, mais tarde, que eles foram entregues depois ao Exército na base militar de Rionegro, perto da cidade de Medellín, no noroeste do país.

Em um comunicado, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou a libertação e afirmou que as Farc “agiram conforme a lei”.

"É evidente que essa decisão contribui para recuperar o clima propício para continuar os diálogos, demonstra a maturidade do processo e nos permite unir nossa voz à de milhões de colombianos que expressam sua solidariedade com os libertados", expressou o presidente.

“Libertados BG Alzate, advogada Urrego e cabo Rodríguez em perfeitas condições e aguardando condições climáticas para regresso a suas famílias”, anunciou no Twitter o presidente Juan Manuel Santos, que exigia essas libertações como requisito para reiniciar as conversações com as Farc, que estão em curso há dois anos em Cuba sem um cessar-fogo na Colômbia.

As chuvas na região remota e selvagem de Chocó, a mais pobre da Colômbia, complicaram a ação supervisionada pelo comandante guerrilheiro conhecido como Pastor Alape, negociador da paz em Havana e comandante do bloco Iván Ríos, que viajou especialmente por ordem do chefe máximo da guerrilha, Timoleón Jiménez, segundo as Farc.

Delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e representantes de Cuba e Noruega, fiadores dos diálogos de paz, acompanharam os três libertados até uma unidade militar, de onde se espera que eles viajem nas próximas horas para Bogotá.

Alzate, o oficial de mais alta patente capturado pelas Farc em 50 anos de conflito armado, foi retido pelo bloco Iván Ríos junto com seu assistente e a assessora de projetos especiais do Exército durante um deslocamento em trajes civis e sem escolta perto da capital regional Quibdó.

Os três são ansiosamente aguardados por seus familiares em busca de respostas para o ocorrido. Alzate, um general experimentado e condecorado de 55 anos, também terá de dar explicações ao Congresso, que já anunciou que o convocará para saber as razões desta aparente violação das leis básicas de segurança.

De Havana, as Farc propuseram “redesenhar as regras do jogo” das negociações para que “nenhum evento bélico nos campos de combate” justifique uma nova paralisação. “É hora do cessar-fogo bilateral, do armistício”, elas ressaltaram.

A insólita captura do general e seus acompanhantes, que deixou a Colômbia perplexa, provocou a suspensão das conversações que procuram encerrar o conflito armado mais antigo do continente e que já deixou oficialmente 220 mil mortos e 5,3 milhões de desalojados.

Como demonstração do seu compromisso com a paz, as Farc, principal guerrilha da Colômbia com cerca de 8 mil combatentes, já haviam libertado, na terça-feira, dois soldados capturados em 8 de novembro depois dos combates em Arauca (leste), operação para onde viajou também, desde Cuba, o comandante Carlos Antino Losada, segundo indicou o grupo insurgente no domingo.

A poliglota Angelika Rettberg, autora do livro, Obstrucción de paz en Colombia, atribuiu a agilidade e rapidez com que se anunciaram as libertações ao interesse do governo e da guerrilha em evitar uma escalada da crise. “O processo de paz já estava parado”, ela disse à AFP.

No entanto, depois do regresso de Alzate e seus companheiros, nada será igual nas negociações, em recesso desde 3 de novembro e que deveriam ter sido retomadas em 18 de novembro.

“É difícil que o processo de paz possa ser retomado como se nada houvesse acontecido”, assinalou à AFP Christian Voelkel, analista para Colômbia do International Crisis Group (ICG), uma ONG especializada na resolução de conflitos.

“A longo prazo, este episódio vai se fazer sentir em Havana” ele salientou.

Timoleón Jiménez já o advertiu na semana passada quando, desde a clandestinidade, disse que “as coisas não poderão retomar assim sem mais, que será preciso fazer várias considerações”.

A guerrilha aproveitou também para reivindicar pelo rebeldes presos, indicando que espera que esta libertação “estenda seus efeitos benéficos aos presos políticos e sociais do país”.

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