Farc libertam trabalhadores capturados, mas matam 4 soldados

A guerrilha Farc libertou na quinta-feira três trabalhadores petroleiros que haviam sido tomados como reféns na véspera, segundo fontes, mas mataram quatro soldados, num sinal de endurecimento nas negociações de paz com o governo.

HELEN MUR, Reuters

31 de janeiro de 2013 | 18h51

Os sequestros e outros incidentes violentos ocorreram dias depois do final de uma trégua unilateral de dois meses adotada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em novembro, quando foi lançado o processo de paz com o governo em Havana.

Os três trabalhadores sequestrados eram engenheiros a serviço da empresa canadense Gran Tierra Energy, trabalhando no sul da Colômbia, segundo fontes militares.

No departamento de Narino (sudoeste), importante rota de acesso do narcotráfico para o Pacífico, rebeldes das Farc mataram quatro soldados em um combate no município de Policarpa.

A situação em Narino é representativa dos grandes desafios para a segurança da Colômbia - ali, grupos rebeldes e quadrilhas de traficantes eventualmente lutam ou se associam para transportar carregamentos de cocaína onde há escassa presença governamental.

Desde que a trégua das Farc expirou, em 20 de janeiro, o grupo já atacou instalações petrolíferas e mineradoras, incluindo dois oleodutos e uma ferrovia carvoeira. No fim de semana passado, dois policiais foram sequestrados no sudoeste colombiano, segundo o governo, no que seria o primeiro caso desse tipo desde abril, quando as Farc libertaram os últimos militares e policiais ainda sob sua custódia.

Na primeira reação do grupo ao sequestro dos policiais, o negociador-chefe das Farc, Iván Márquez, disse desconhecer o caso. "Não temos nenhum relato oficial desse incidente, se foram ou não as Farc."

As Farc haviam proposto um cessar-fogo bilateral durante o processo de paz, mas o governo rejeitou.

A escalada de hostilidades pode afetar o andamento do processo de paz, que busca encerrar uma guerra civil de cinco décadas. O presidente Juan Manuel Santos diz que pretende assinar um acordo de paz em um ano. Márquez reiterou na quinta-feira a jornalistas em Havana que as Farc não querem um prazo para a negociação.

"Estamos dispostos a permanecer à mesa até encontrarmos um caminho que nos leve à paz. Por isso dissemos que não vamos nos levantar da mesa até que o desejo do povo colombiano se cumpra."

(Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta em Bogotá, Nelson Acosta em Havana e Eduardo Garcia em Quito)

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