Farc manterão norte-americanos 'presos por 60 anos na selva'

Sentença de guerrilheiros tem como base a pena dada pela justiça norte-americana a um de seus líderes

AP,

23 de fevereiro de 2008 | 22h02

Guerrilheiros colombianos disseram nesse sábado (23) que manterão 3 reféns norte-americanos por "60 anos em uma prisão na selva", após o tribunal dos EUA ter sentenciado, há cinco anos, um cúmplice das Farc a cumprir uma pena de mesma duração.   Veja também: Farc confirmam libertação de mais quatro ex-parlamentares Colombianos acham que exposição dificulta liberdade de Ingrid França pede que Brasil medeie liberdade de Ingrid Por dentro das Farc   Os três cidadãos americanos, executivos de empresas contratadas para trabalhar com as forças armadas daquele país, foram capturados quando seu avião caiu em mãos dos rebeldes em fevereiro de 2003. Os guerrilheiros afirmam que os manterão presos enquanto os EUA e o governo colombiano se recusarem a manter preso o líder das Farc, Ivan Marquez.   O veterano Marquez, cujo verdadeiro nome é Marin Arango, concedeu uma entrevista à agência de notícias do site das guerrilhas que foi publicada nesse sábado. O site é conhecido por publicar entrevistas antigas e declarações feitas por guerrilheiros no passado.   A entrevista se referia à sentença, em janeiro passado, de um dos comandantes das Farc, Ricardo Palmera, também conhecido como "Simon Trinidad. Palmera foi extraditado para os EUA e culpado pelo seqüestro dos três americanos. Um juiz de Washington lhe deu a pena máxima de seis décadas na prisão.   Na mesma entrevista, Marquez confirmou que as Farc iriam libertar quatro políticos colombianos que estão capturados há anos, incluindo o ex-senador Jorge Gechem.   As Farc são consideradas uma organização terrorista estrangeira pelo governo norte-americano e querem trocar dezenas de reféns, incluindo os três americanos, por centenas de rebeldes presos na Colômbia, além de Palmera e uma de suas comandantes, ambos presos nos EUA.   "O governo colombiano e a Casa Branca deveriam pensar antes de colocar mais obstáculos no caminho de uma troca humanitária, pois penas como estas, no final das contas, significam simplesmente que os três norte-americanos passarão 60 anos em uma prisão na selva, no poder  nas Farc", disse Marquez, de acordo com o site.   As Farc mantém presos os três executivos - Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell - há cinco anos. São os reféns americanos que estão a mais tempo em cativeiro no mundo, segundo a embaixada americana em Bogotá.   Pelo menos um dos reféns estava preso no mesmo cativeiro em que Ingrid Betancourt, a ex-candidata à presidência colombiana que completou seis anos em poder da guerrilha no sábado.   Desde seu seqüestro, as famílias americanas dos reféns receberam apenas duas ditas provas que seus parentes estão vivos em vídeo, no último mês de novembro.   O governo colombiano e os guerrilheiros das Farc, que estão em sua quinta década de sangrento conflito civil, concordaram, em termos gerais, sobre a troca de prisioneiros por reféns, mas discussões sobre detalhes da troca fizeram as negociações fracassar antes mesmo de começar.   Mesmo com parlamentares americanos que insistem a Colômbia lide com a guerrilha, o governo do presidente Álvaro Uribe se opõe a trazer os rebeldes de suas prisões americanas, preocupado com que a manobra poderia enfraquecer sua política de extradição - uma arma considerada crucial em sua luta contra a maior indústria de cocaína do mundo.

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