Farc negam autorização para Cruz Vermelha tratar de reféns

A maior guerrilha esquerdista daColômbia descartou na segunda-feira a possibilidade de umamissão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha visitarpolíticos sequestrados para dar a eles atendimento médicodentro de acampamentos montados por rebeldes no meio da mata. A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc) mantém sob seu poder 44 pessoas sequestradas por motivospolíticos, entre as quais a ex-candidata presidencial IngridBetancourt. O grupo busca selar um acordo com o governo do presidenteAlvaro Uribe a fim de trocar esses reféns por cerca de 500guerrilheiros atualmente presos na Colômbia. "Para a nossa organização, a segurança dos 'permutáveis'prevalece sobre as considerações poucos realistas com as quaiso presidente Uribe visa distender a dor e a angústia dosfamiliares dos prisioneiros em poder dos dois lados", afirmouRaúl Reyes, um dos líderes das Farc, ao responder a perguntasenviadas pelo Noticias Uno por meio da Internet. Cartas e fotos de oitos dos reféns, enviadas junto com umaex-congressista libertada recentemente, mostraram que aquelaspessoas enfrentam doenças tropicais como a malária e que oestado de saúde delas é delicado por conta das duras condiçõesde vida na selva. A notícia divulgada pelo canal de TV no domingo à noiteafirmou ainda que Reyes, um dos sete integrantes dosecretariado da guerrilha composta por 17 mil combatentes,mostrou-se evasivo quando questionado sobre por que o grupo nãolibertava os reféns doentes, entre os quais o coronel dapolícia Luis Mendieta. Alguns dos reféns estão em poder da guerrilha há dez anos.Mas a postura inflexível adotada pelas Farc e pelo governocolombiano impediu até agora que seja firmado um acordo paracolocar fim ao drama. A guerrilha exige das autoridades que retirem as ForçasArmadas e a polícia de uma região de montanha com 780quilômetros quadrados a fim de que os delegados de ambas aspartes possam reunir-se para discutir um acordo. Uribe, porém, rejeitou a demanda argumentando que osrebeldes tentam beneficiar-se da desocupação militar de umaárea importante para o tráfico de drogas e armas. O presidentecolombiano lidera uma agressiva campanha militar contra osguerrilheiros responsável por obrigá-los a recuarem. Reyes também negou ter havido um contato das Farc com aIgreja Católica para discutir a criação de uma zona desegurança onde seria discutido um eventual acordo humanitário. Uribe está aberto à possibilidade de a Igreja, com o apoioda Espanha, da França e da Suíça, tentar convencer a guerrilhaa aceitar a criação de uma zona de segurança com 150quilômetros quadrados em uma área onde não haja populaçõescivis ou quartéis das Forças Armadas. "Não compreendo a origem de tais notícias sobre contatosrecentes com a Igreja quando isso depende do secretariado (dasFarc). Ao dar declarações desse teor, alguém pretende alimentarfalsas esperanças", afirmou Reyes. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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