Farc negam novas libertações até desmilitarização de área

Guerrilha colombiana afirma que não fará concessões após soltar mais quatro reféns ao governo venezuelano

Efe,

27 de fevereiro de 2008 | 15h18

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram nesta quarta-feira, 27, que não farão mais libertações unilaterais de reféns até que o governo aceite desmilitarizar dois povoados de Valle del Cauca, após a entrega de quatro ex-parlamentares que estavam sob poder da guerrilha.  Veja também:Farc libertam mais 4 reféns, diz Cruz VermelhaMinistro diz que Farc não entregaram provas de vida dos refénsPor dentro das FarcReféns colombianos: do seqüestro à liberdadeQuem são os 4 reféns libertados na Colômbia O anúncio foi feito pelas Farc em comunicado, divulgado pela rádio Caracol , enquanto eram entregues a uma comissão humanitária os ex-congressistas Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán Cuéllar e Jorge Eduardo Gechen Turbay nas selvas de Guaviare. Os quatro políticos, a caminho da Venezuela, foram entregues a uma comissão liderada pelo ministro do Interior venezuelano, Ramón Rodríguez Chacín, e pela senadora opositora colombiana Piedad Córdoba, além de uma euipe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). A delegada do Comitê na Colômbia, Bárbara Hintermann, indicou que os ex-legisladores entregues passam bem. "Estão em nossas mãos e estão em um estado de saúde que lhes permite viajar", disse Hintermann aos jornalistas em Bogotá. Na mensagem assinada por sua cúpula, as Farc destacaram que a libertação "é a conquista da persistência humanitária e da sincera preocupação com a paz da Colômbia" do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e da senadora opositora colombiana Piedad Córdoba. "Agora deve continuar a desmilitarização de Pradera e Florida por 45 dias, com presença guerrilheira e da comunidade internacional como fiadores para pactuar com o governo (colombiano) nesse espaço a libertação dos guerrilheiros e dos prisioneiros de guerra", indicou o grupo. As Farc, que segundo as autoridades detêm mais de 750 pessoas, que pretendem trocar um grupo de seqüestrados - hoje somam 40 - por 500 guerrilheiros presos, mediante um acordo com o governo, mas exigem, para isso, a desmilitarização dessas duas localidades, o que Bogotá rejeita plenamente. "Esta libertação é a mais contundente manifestação de que pode mais a humanidade e a intransigência", indicou o comando das Farc no comunicado datado nas montanhas da Colômbia. Além disso, a guerrilha afirmou que a libertação ocorreu em meio a "uma gigantesca operação militar". De San José do Guaviare, os ex-reféns partiram rumo à Venezuela, onde devem se reunir com seus parentes e com o presidente Chávez, que facilitou a operação e obteve das Farc a libertação unilateral. As aeronaves de resgate com emblemas do CICV decolaram após as 12h30 (horário de Brasília) do aeroporto de San José do Guaviare, capital da região e meia hora depois já haviam resgatado os ex-congressistas. A operação foi semelhante à de 10 de janeiro, quando as Farc entregaram na mesma região ao CICV e a Chacín a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas e a ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo.

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