Efe/arquivo
Efe/arquivo

Farc negam ter ajudado Correa e recebido armas da Venezuela

Alfonso Cano diz que guerrilha está disposta a negociar paz com Uribe, mas não abre mão de troca humanitária

Reuters e Efe,

13 de agosto de 2009 | 08h18

O líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, negou que a guerrilha tenha doado dinheiro à campanha eleitoral do atual presidente equatoriano, Rafael Correa, e recebido armas da Venezuela. Em entrevista publicada nesta quinta-feira, 13, pela revista colombiana "Cambio, o chefe guerrilheiro diz que os rebeldes das Farc estão abertos a negociar com o governo da Colômbia se receberem garantias de segurança.

 

Veja também:

especialEspecial: Por dentro das Farc

 

Alfonso Cano, que assumiu o comando das Farc há mais de um ano, disse à revista local Cambio que os guerrilheiros estavam abertos a negociar para encerrar o conflito de quatro décadas, mas não deu detalhes de quais garantias desejava. "O que vai determinar isso são as garantias oficiais para um encontro entre o governo e as Farc para acabar com o perigo e a tensão entre os participantes e melhorar as condições para negociar", disse Cano em uma entrevista por e-mail à revista."Temos que conversar, dialogar, e isso significa espaço e garantias", acrescentou, em uma rara entrevista.

 

O guerrilheiro insiste na troca humanitária entre os reféns mantidos pelo grupo e os guerrilheiros detidos pelo governo e afirma que exigiu "garantias de modo, tempo e lugar" para analisar com representantes do governo "a viabilidade e os termos" de tal proposta.

 

Há algumas semanas, foi divulgado um vídeo em que o chefe militar das Farc, Mono Jojoy, fala de uma "ajuda em dólares" dada à campanha de Correa, mas os rebeldes negaram a veracidade dias depois em comunicado. "Não entregamos nem armas nem dinheiro a governos ou organizações de outros países. Por que haveríamos de contribuir à campanha eleitoral de uma pessoa, como o atual presidente Rafael Correa, que nem sequer conhecemos?", assegurou Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano.

 

Na entrevista, a primeira à imprensa colombiana desde que chegou à cúpula das Farc, Alfonso Cano também fala da polêmica sobre os lança-foguetes que teriam sido entregues pela Venezuela. Segundo Cano, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, "recorreu ao terror midiático" para insinuar que o governo da Venezuela facilitou armas às Farc. "Tínhamos capturado os lança-foguetes há muito em um enfrentamento militar na fronteira, fato que foi amplamente informado à opinião então", explicou. Cano esclareceu que as conversas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, "cessaram" quando Uribe decidiu separá-lo em novembro de 2007 de seu trabalho de mediador para um acordo humanitário.

 

Sobre os computadores do antes segundo no comando da guerrilha Raúl Reyes, o atual chefe das Farc comentou que neles foi achado "o que os governos de Bogotá e Washington queriam que houvesse", e que "transformaram isso em aríetes" contra países como Equador e Venezuela. Perguntado se tem algum contato com o governo, respondeu taxativamente que "não" e acusou Uribe de "impedir" a libertação unilateral do cabo Pablo Emilio Moncayo, anunciada pelos próprios rebeldes em abril passado.

 

Segundo Cano, a guerrilha enfrenta atualmente "a maior ofensiva contra-insurgente já feita na América Latina", graças em parte à ajuda econômica que a Colômbia recebe dos EUA. Porém, frisou que o grupo não sofre uma "crise" nem "graves problemas internos".

A campanha de segurança do presidente Álvaro Uribe, com apoio dos Estados Unidos, conseguiu enfraquecer as Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (Farc) nos últimos anos. As guerrilhas estão isoladas em áreas remotas e a violência diminuiu, mas as conversas para acabar com a insurgência mais antiga da América Latina ainda parecem estar distantes.

 

No passado uma força bem armada que controlava grandes regiões da Colômbia, as Farc foram seriamente enfraquecidas pela perda de seus principais comandantes e por muitas deserções. O grupo, no entanto, segue forte em regiões rurais.

 

Tentativas de se chegar a um acordo para libertar mais de 20 soldados e policiais que são mantidos reféns pelas Farc estão estagnadas. Os rebeldes desejam trocar os reféns por guerrilheiros presos. Mas em recentes comunicados, o grupo deixou de se referir a uma região desmilitarizada do tamanho de Nova York que eles exigiam para iniciar as negociações.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaFarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.