Farc negam ter financiado campanha de Correa em 2006

Guerrilha acusa EUA e Bogotá de manipulação de vídeo em que líder reconhece doações; Quito também nega

Reuters e Efe,

28 de julho de 2009 | 17h41

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) negaram nesta terça-feira, 28, ter financiando parte da campanha eleitoral do presidente do Equador, Rafael Correa em 2006. A denúncia ganhou força após a divulgação de um vídeo em que um líder guerrilheiro reconhecia as doações.

 

Veja também:

especialEspecial: Por dentro das Farc

 

"Buscando agredir o senhor presidente do Equador, Rafael Correa, Washington e Bogotá manipularam um vídeo das Farc, retirando seu contexto", afirmou a guerrilha em um comunicado divulgado pela internet através da agência Anncol. "Negamos ter entregado dinheiro a campanha eleitoral de países vizinhos", acrescenta a nota, assinada pelo secretariado da guerrilha, datada de 25 de junho.

 

Na segunda-feira, o governo equatoriano também havia apontado manipulação das imagens em uma reportagem oficial, na qual há testemunhos de jornalistas colombianos e do chanceler equatoriano, Fander Falconi. Quito afirma que o governo recebeu "o vídeo na íntegra" da Organização dos Estados Americanos (OEA) e que o Executivo "vai apresentar à opinião pública todo o conteúdo."

 

No vídeo, que foi entregue pelo governo colombiano à OEA, Victor Julio Suárez Rojas, conhecido como "Jorge Briceño Suárez" ou "Mono Jojoy", líder das Farc, menciona uma "ajuda em dólares" à campanha eleitoral de Correa, em aparente referência à de 2006. "Ajuda em dólares à campanha de Correa e posteriores conversas com seus emissários, incluindo alguns acordos, segundo documentos em poder de todos nós, (...) são muito comprometedores em nossas ligações com os amigos", assegura "Mono Jojoy", no meio da selva, segundo o vídeo.

 

A reportagem equatoriana mostra "pequenos detalhes", como o fato de que, no vídeo, "Mono Jojoy" aparece com um lenço e "imediatamente depois" sem ele, ou a sucessão de planos nos quais aparece iluminado e mais tarde com uma sombra sobre seu rosto, o que assegura que a manipulação é "óbvia". Também menciona o fato de que "segundo fontes colombianas, o vídeo foi gravado um dia depois da morte do conhecido como 'Tirofijo', número um das Farc, no dia 26 de março de 2008, época na qual, 'Mono Jojoy' esteve à beira de a morte."

Tudo o que sabemos sobre:
FarcColômbiaEquador

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.