Farc pedem a soldados e policiais que entrem no grupo

O bloco mais importante da maiorguerrilha esquerdista da Colômbia pediu na sexta-feira apoliciais e soldados que deixem as forças de segurança eingressem em suas fileiras a fim de combater "os verdadeiros"inimigos do país. Essa é a primeira vez, ao menos na história recente, que asForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) conclamamsoldados e policiais a abandonarem suas instituições paraingressarem na guerrilha. No passado, Manuel Marulanda, o fundador e líder máximo dasFarc que morreu em março, aparentemente em consequência de umataque cardíaco, já havia enviado mensagens semelhantes agenerais, oficiais e suboficiais, sem nenhum sucesso. O apelo foi feito pelo Bloco Oriental das Farc por meio dosite www.frentean.col.nu. "Soldados e policiais patriotas: deixem de lado o ódio eapontem suas armas contra o verdadeiro inimigo, os inimigos daNova Colômbia. É chegada a hora de pedir baixa e retirar-se doExército, que só defende os interesses do imperialismo e dosendinheirados donos do poder", afirma o comunicado. "É chegada a hora de se unir com a outra Colômbia, a que selevanta com dignidade, a que desejam ignorar os meios decomunicação, a que desejam varrer do mapa os usurpadores dariqueza com seus planos de terror, a que detestam ospolitiqueiros e da qual se riem os generais. A Colômbia temfome e sede de justiça, o que nos incentiva a continuar comesta luta", acrescenta o texto. CAMPANHA POSSÍVEL Nenhum dos altos comandantes das Forças Armadas colombianasmanifestou-se ainda a respeito do apelo, mas analistas disseramque a mensagem poderia fazer parte de uma campanha das Farcdestinada a neutralizar a iniciativa do governo que provocou adeserção de mais de 9.000 de seus combatentes desde o ano de2002. O governo do presidente Alvaro Uribe mantém um programa,divulgado através dos meios de comunicação, incentivando adeserção dos guerrilheiros, aos quais se oferecem benefíciosjurídicos, recompensas e acesso a programas de saúde e educaçãocomo parte de sua reintegração à vida civil. Além da deserção de combatentes, as Farc, que afirmam lutarem nome da implantação de um sistema socialista nesse país demais de 44 milhões de habitantes marcado por profundasdiferenças na distribuição de renda, sofreram várioscontragolpes nos últimos meses em meio a uma ofensiva lideradapor Uribe e apoiada pelos EUA. Além da morte de seu fundador, a guerrilha perdeu osdirigentes Raúl Reyes, Martín Caballero, Tomás Medina Caracas eJota Jota, em operações militares que obrigaram o grupo rebeldea um recuou estratégico enquanto o Exército e a políciaretomavam o controle de regiões de montanha e de mata. "Esperamos que venham para este lado com seus fuzis, suamente e seu coração," concluiu a mensagem do grupo rebelde. O Bloco Oriental das Farc é uma das estruturas militaresmais atuantes do grupo rebelde e está envolvido com atividadesrelacionadas ao narcotráfico, marcando presença em uma amplaregião do sudeste do país.

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