Farc planejaram sequestros no exterior, diz governo colombiano

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia planejaram desde 2003 sequestros no Paraguai, Peru e Venezuela para reforçar seus cofres, no momento em que o grupo começava a enfrentar uma ofensiva militar sem precedentes por parte do governo, disse o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na quinta-feira.

REUTERS

23 de dezembro de 2010 | 17h36

Santos divulgou emails datados de 2003 a 2009, encontrados em computadores que pertenciam ao comandante guerrilheiro Jorge Briceño, o "Mono Jojoy," morto em setembro num bombardeio.

"Organizar o trabalho de tal forma que não haja possibilidades de vincular às Farc," sugere uma das mensagens citadas num documento distribuído por Santos.

"Aí está claríssimo como fazem as coisas e depois se escondem para que não os culpem," afirmou Santos.

Um dos emails cita a possibilidade de sequestrar o dono de um banco de Aruba e Curaçao, que seria recebido perto da cidade venezuelana de Maracaibo.

Outra mensagem, remetida pelo falecido comandante rebelde Raúl Reyes, revela o pagamento de um resgate de 300 mil dólares, em 2003, pela família de um refém no Paraguai.

O documento sugere uma relação entre as Farc e o Partido Pátria Livre, do Paraguai, acusado de cometer no final de 2004 o sequestro de Cecília Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas. A mulher apareceu morta meses depois, e já havia suspeitas de ligação das Farc com o caso.

"No Paraguai existem boas condições para os trabalhos financeiros conjuntos, compra de armas e organização de redes de apoio. Os controles na fronteira para se mover do Paraguai para o Brasil ou a Argentina são mínimos," disse o mesmo email.

Outra comunicação, de maio de 2009, revelava o plano de sequestrar um empresário no Peru e exigir um resgate de 4 milhões de dólares.

Segundo Santos, os documentos mostram também vínculos e apoio às Farc por parte do chamado Movimento Continental Bolivariano, criado na Venezuela.

"Tudo isso significa que as Farc estão desesperadas para voltar a ganhar credibilidade e espaço internacional, inclusive para promover todos os protestos sociais, participar dos protestos sociais, estruturar uma rede de inteligência que chamaram de Continental Bolivariana. Querem jogar em nível internacional," disse Santos.

Ele elogiou o Congresso chileno por aprovar uma moção que qualifica as Farc como grupo terrorista, e pediu à comunidade internacional que continue encurralando a guerrilha.

Dizimada por uma ofensiva militar nos últimos oito anos, as Farc perderam importantes guerrilheiros e sofreram a deserção de milhares de combatentes, mas continuam dominando áreas remotas da Colômbia, muitas vezes em associação com narcotraficantes. EUA e União Europeia qualificam o grupo como terrorista.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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