Farc planejavam atentado em Madri, diz Colômbia

Governo afirma que e-mails mostram planos de atacar personalidades colombianas na capital espanhola

Agências internacionais,

28 de maio de 2008 | 09h48

Autoridades colombianas revelaram na terça-feira, 28, que um e-mail encontrado no computador do ex-líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyes, escrito pelo novo chefe da guerrilha, Alfonso Cano, assinala que era preciso "elaborar um projeto" para promover um atentado em Madri. A correspondência preocupou os organismos de inteligência, pois segundo as primeiras análises, as Farc planejavam ataques contra personalidades colombianas na capital espanhola.   Aos 44 anos, Farc podem se dividir, diz analista Héctor Saint Pierre, professor da Unesp, fala do futuro dasFarc 'Alfonso Cano', o novo líder das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Timochenko confirma a morte de Tirofijo      "Proponho que seja elaborado um projeto que oriente sobre o atentado em Madri", diz a mensagem que Cano enviou aos membros do Secretariado das Farc. Em outro e-mail, divulgado pelas autoridades nesta terça, o substituto de Manuel Marulanda, fundador das Farc declarado morto no último sábado, reconhece a morte dos 11 deputados do departamento colombiano de Valle del Cauca em junho de 2007. Ele afirma que um erro dos guardas dos seqüestrados, que confundiu uma unidade da guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), provocou a morte dos reféns.   "Por uma grave confusão com outra unidade das Farc, que nos confundiu e nos atacou, a guarda executou 11 dos 12 reféns porque pensaram que o ataque era promovido pelo Exército. Grave equívoco que nos criará muitos problemas", ressalta a mensagem encontrada no laptop de Reyes durante o araque de 1 de març,o no Equador.   Oficialmente, as Farc afirmam que a morte dos deputados seqüestrados se deu durante um "fogo cruzado" com "um grupo militar não identificado", versão negada pelo governo, que os acusa pelos assassinatos. Em outra mensagem, Cano diz ao comando rebelde que deve-se culpar o Exército pelas mortes, e que uma boa estratégia seria atrair os militares para a região do incidente. Se o Exército cercar o lugar em que ocorreram as mortes, podemos culpá-los, diz o e-mail.   Morte de Tirofijo "não muda nada"   O grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciou na terça que a morte de seu líder máximo, Manuel Marulanda, o "Tirofijo" (Tiro Certeiro), não muda em nada as condições impostas para negociar a troca de reféns em seu poder por guerrilheiros presos.   "Continuaremos com nossas tarefas de acordo com os planos aprovados, solidamente unidos e profundamente otimistas de seguir adiante, apesar das adversidades", afirmou o grupo num comunicado divulgado na internet, acrescentando que também "continuam vigentes" suas exigências para negociar uma saída política para o conflito. O grupo quer que 500 rebeldes sejam soltos em troca da libertação de 40 reféns políticos. Para negociar a paz, exige a desmilitarização de dois municípios da região de Valle del Cauca. Bogotá rejeita as condições.   Em sua última mensagem a outros membros do secretariado das Farc, Marulanda deu instruções sobre as negociações com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que buscava mediar uma ampla troca de reféns por rebeldes presos, informou o jornal El Tiempo, de Bogotá, citando dados divulgados pelo governo. O último e-mail de Marulanda - cuja morte, em março, foi confirmada domingo pelas Farc - teria sido encontrado num dos computadores do porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes, morto em março num ataque colombiano a seu acampamento no Equador. Segundo o El Tiempo, no e-mail Tirofijo cita a ajuda financeira que Bogotá diz que Chávez ofereceu à guerrilha.   "É preciso esclarecer as condições, (ver) se é um empréstimo ou por solidariedade - o que resolveria um sério problema estratégico na luta contra a agressão gringa encabeçada pelo (presidente colombiano, Álvaro) Uribe", teria escrito Marulanda. "A impressão que dá é que o homem (supostamente Chávez) está interessado em fazer aportes à causa bolivariana das Farc para conseguir fortalecer seu projeto político em vários países."   Em outro trecho, Marulanda fala da necessidade de "consolidar as boas relações com a vizinhança" e menciona um "aporte de 300". Segundo autoridades, seriam os US$ 300 milhões que o governo venezuelano se teria comprometido a repassar aos rebeldes.   Segunda-feira, o ministro do Interior, Carlos Holguín, enviou a primeira mensagem a Cano: "Se ele quiser, estará aberta a porta da paz, mas se continuar com a guerra, os militares vão persegui-lo e matá-lo." Segundo o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, com a morte de Marulanda "será mais fácil acabar com as Farc".

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