Farc podem ter financiado campanha de Correa no Equador

Informação é de autoridades colombianas com base em computador do líder morto Raúl Reyes

Associated Press,

09 de março de 2008 | 14h41

Autoridades colombianas afirmaram neste domingo, 9, que documentos encontrados no computador do guerrilheiro morto Raúl Reyes detalham o financiamento, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), da campanha eleitoral do atual presidente do Equador,  Rafael Correa. Recentemente, Colômbia e Equador se viram em meio a uma crise diplomática desencadeada por um ataque militar colombiano contra guerrilheiros em território equatoriano, que terminou com a morte de Reyes, o número 2 da organização clandestina.  VEJA TAMBÉM Exército colombiano anuncia morte de três rebeldes Correa diz que não está preparado para 'reatar' com a Colômbia  Chávez diz que tropas na fronteira retornarão esta semana  Presidentes trocam farpas no Grupo do Rio, mas selam acordo Dê sua opinião sobre o conflito     Por dentro das Farc  Entenda a crise     Histórico dos conflitos armados na região   'É possível que as Farc se desarticulem'     Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA   A revista colombiana Semana divulgou na edição de domingo trechos de e-mails do governo colombiano informando sobre os três computadores apreendidos no acampamento das Farc no Equador em que vivia Raúl Reyes (leia a íntegra da reportagem aqui). Uma das mensagens, datada de 17 de setembro de 2006, antes do primeiro turno das eleições equatorianas, que ocorreu no dia 15 de outubro daquele ano. De acordo com a revista, é um e-mail enviado por Reyes a Manuel Marulanda, o "Tirofijo", chefe máximo das Farc, com o seguinte texto: "Em nota enviada ao Secretariado (das Farc), explico sobre a ajuda dada à campanha de Rafael Correa de acordo com suas instruções". Correa venceu as eleições no Equador no segundo turno em novembro de 2006 e assumiu o cargo em 15 de janeiro de 2007. A revista Semana não revelou como obteve os documentos, mas duas fontes, uma do governo colombiano e outra da polícia, disseram à Associated Press que os textos dinfundidos pela publicação são autênticos. As fontes não quiseram se identificar por questões de segurança. Em outro e-mail, enviado em 12 de outubro de 2006, Marulanda pede a Reyes para decidir de quanto deve ser a doação da guerrilha. "O Secretariado está de acordo em prover ajuda a nossos amigos do Equador", escreveu Marulanda, o número 1 das Farc. "Deixe nossos amigos informados, imediatamente, antes que seja tarde, da quantia que enviaremos...". As fontes também disseram à AP que o conteúdo dos e-mails era conhecido por alguns políticos colombianos e equatorianos, inclusive Corream antes da reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo, na sexta-feira, 7. "Há mais cartas que não serão divulgadas à imprensa, mas enviadas diretamente ao presidente Rafael Correa", afirmou um oficial sênior do governo colombiano.  O presidente equatoriano chegou a pedir neste sábado, 8, que Bogotá permitisse o acesso a documentos que supostamente vinculam o governo equatoriano às Farc. Correa qualificou como "uma infâmia" que se vincule seu governo com a guerrilha. "Eu pedi os documentos ao presidente Ávaro Uribe para  apresentá-los à justiça, às entidades fiscais, aos opositores, não temos nada o que temer", afirmou o presidente durante programa de rádio do governo transmitido aos sábados. "Você pode inventar qualquer coisa. Uma simples página impressa não tem qualquer validade legal." A provocação ocorreu um dia pós o Grupo do Rio soltar uma resolução sobre a crise na América Latina, que rechaçava a violação da integridade territorial do Equador e defendia a "inviolabilidade" de Estado "qualquer seja o motivo". O documento "tomou nota das plenas desculpas" que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ofereceu ao Equador e de seu compromisso de que este tipo de violação não se repetirá.

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