Farc propõem legalizar cultivos de coca e maconha na Colômbia

A guerrilha Farc pediu nesta quarta-feira ao governo colombiano que legalize parte dos cultivos de folha de coca e maconha no país e que não criminalize os camponeses envolvidos nessa atividade, uma reivindicação que o grupo rebelde considera fundamental para chegar a um acordo de paz nas negociações que transcorrem atualmente em Cuba.

Reuters

06 de fevereiro de 2013 | 19h15

No que seria uma antecipação do crucial tema do narcotráfico, um dos cinco pontos na pauta do processo de paz, a principal guerrilha colombiana argumentou que a descriminalização permitiria o uso desses cultivos com fins medicinais e beneficiaria agricultores pobres.

"É preciso reorientar o uso da terra para produções agrícolas sustentáveis e, inclusive, considerar planos de legalização de alguns cultivos de maconha, papoula e folha de coca com fins terapêuticos e medicinais, de uso industrial, ou por razões culturais", disse o negociador Iván Márquez a jornalistas.

Ele também defendeu um fim da "política de criminalização e perseguição, a suspensão das fumigações aéreas e outras formas de erradicação que estão gerando impactos negativos socioambientais e econômicos".

A delegação governamental no processo de paz iniciado em novembro não se manifestou nesta quarta-feira.

Embora sem incluir isso no documento apresentado ao governo, Márquez reiterou a posição da guerrilha a favor da legalização do uso da cocaína.

"Assim como se legalizou no passado o uso do tabaco e do álcool, pode-se fazer o mesmo com a cocaína, desde que se tenha em conta essa campanha de orientação da juventude", afirmou ele antes de entrar no centro de convenções de Havana onde o diálogo acontece.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, já citou o tema da legalização e despenalização do uso de drogas em fóruns internacionais.

(Reportagem de Rosa Tania Valdés)

Tudo o que sabemos sobre:
COLOMBIAFARCDROGAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.