Farc recebem provisões brasileiras, diz ex-refém da guerrilha

Eladio Pérez diz que guerrilha colombiana se movimenta pelas fronteiras com Brasil, Equador, Peru e Venezuela

Efe,

28 de fevereiro de 2008 | 15h34

A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se movimenta pelas fronteiras do país com Brasil, Equador, Peru e Venezuela, e recebe provisões procedentes destas nações, disse nesta quinta-feira, 28, um dos quatro ex-congressistas libertados na quarta-feira.   Veja também: Sarkozy teme por vida de Betancourt e oferece ajuda Farc retiveram cartas de reféns americanos, diz ex-seqüestrado Farc ameaçam Panamá e exigem libertação de guerrilheiros Farc libertam mais quatro reféns Filha se diz 'angustiada' com estado de Betancourt Por dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade Quem são os 4 reféns libertados na Colômbia   O ex-refém Luis Eladio Pérez disse em entrevista por telefone à cadeia bogotana Caracol Radio que os rebeldes o movimentaram pelas divisas desses países durante os mais de seis anos que esteve em cativeiro. "Eu dormi no Equador", afirmou Pérez, que disse que isso ocorreu quando a guerrilha o transferiu das montanhas do sul até as florestas do interior colombiano, para levá-lo para junto de outro grupo de seqüestrados.   "Usávamos botas de marca equatoriana, foram usados explosivos, munição equatorianas, desodorantes e algumas drogas (remédios) brasileiras, cremes dentais e sabões venezuelanos", destacou o ex-congressista.   Ele precisou que as Farc, que o seqüestraram em 10 de junho de 2001 no departamento de Nariño, fronteira com o Equador, o mantiveram preso sozinho durante dois anos, sempre na fronteira com o país.   "Estive nas fronteiras com Peru, Equador, Brasil, Venezuela", disse Pérez, que foi libertado pelos rebeldes na quarta-feira junto a Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar e Jorge Eduardo Gechem Turbay.   Esta foi a segunda entrega unilateral de reféns feita pelas Farc, que em 10 de janeiro libertaram a ex-legisladora Consuelo González de Perdomo e a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas, ex-companheira de chapa da candidata presidencial Ingrid Betancourt, ainda cativa.   Pérez se afastou das afirmações vitoriosas dos altos comandantes militares e funcionários, e afirmou que a saída para o conflito colombiano não é pela via militar. Segundo ele, "há muita guerrilha, estão fortalecidos em dinheiro, (o que) lhes permitiu logística e militarmente adquirir uma série de elementos e homens".   O ex-congressista disse que um exemplo disso é o fato de que ele e os guerrilheiros que o levaram até o ponto no qual foi libertado na quarta-feira caminharam 230 quilômetros. A travessia foi feita por territórios nos quais, acredita-se, estão ativos 18 mil militares que buscam os membros do comando central das Farc, lembrou depois.   Trata-se de uma ofensiva conhecida como Plano Patriota, assessorada por Washington e iniciada pelo governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe. O ex-congressista disse que os anos de cativeiro lhe deixaram a percepção de que, nas Farc, "reconhecem (a Uribe) sua imensa capacidade de luta para destruí-los".

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