Farc recusam negociar com Uribe e pedem reunião com Ortega

Em carta, guerrilha diz que apenas um novo governo pode solucionar o conflito e agradece o líder da Nicarágua

Agências internacionais,

15 de julho de 2008 | 17h09

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) rejeitaram nesta terça-feira, 15, uma negociação de paz com o atual governo colombiano do presidente Álvaro Uribe e pediram uma reunião com o líder da Nicarágua, Daniel Ortega, segundo uma carta divulgada pela emissora Telesur. Aproveitando as baixas na guerrilha, o governo colombiano buscava um contato direito com o líder máximo rebelde, Alfonso Cano, para negociar a libertação de 25 reféns que estão em poder das Farc.   Veja também: 'Em nenhum momento traí as Farc', diz carcereiro de Ingrid O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt O seqüestro de Ingrid Betancourt    "Somente um novo governo (colombiano), verdadeiramente democrático, surgido de um grande acordo nacional, poderia retomar o caminho para a busca de uma solução do conflito social e armado da Colômbia", indicou a mensagem, datada de 26 de junho, segundo informações da agência de notícias France Presse.   As Farc sofreram há duas semanas sua pior derrota militar e política após o Exército colombiano ter resgatado a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e outros 14 reféns. Os seqüestrados faziam parte de um grupo de 40 pessoas que a guerrilha tentava trocar com o governo por 500 rebeldes presos.   Pelo menos cinco altos comandantes das Farc morreram no último ano, incluindo Raúl Reyes, que perdeu a vida em um ataque de militares colombianos no Equador. Além disso, cerca de 9 mil combatentes desertaram desde que Uribe assumiu a presidência em 2002.   "Eles estão desconcertados, sabem que inteligência do Estado colombiano está em um nível mundo alto, capaz de penetrar em suas mais altas estruturas", afirmou o general Freddy Padilla de León, comandante das Forças Armadas da Colômbia. "Eles também têm consciência que existe um alto grau de corrupção em sua estrutura", continuou.   Para o general, as Farc não têm um ideal político para lutar, e o dinheiro do narcotráfico se converteu numa arma contra a guerrilha. "Eles estão navegando em mar de corrupção, que os põe em enormes contradições", indicou Padilla.   Agradecimento   Ainda no comunicado divulgado nesta terça, a guerrilha agradece a Ortega por sua decisão "muito valente" de conceder asilo político às guerrilheiras "Susana e Diana", além das colombianas Doris Bohórquez e Martha Pérez, sobreviventes ao ataque que matou Reyes no Equador em 1.º de março, segundo informações da France Presse.   "Agradecemos ao comandante Daniel por sua companhia em momentos tão difíceis para nossa organização, como nos assassinatos de Rául, Iván Ríos (membro do comando central) e na morte de nosso comandante chefe, Manuel Marulanda Vélez, para quem juramos vencer", continua as Farc na mensagem.   O presidente da Nicarágua, que dirigiu a guerrilha nicaragüense que tomou o poder em 1979 antes de assumir o governo por via eleitoral em 2007, suspendeu temporariamente suas relações com a Colômbia após o ataque ao acampamento de Reyes.   (Com Reuters e AP)  

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