Farc retiveram cartas de reféns americanos, diz ex-seqüestrado

Ex-deputado afirma que Ingrid Betancourt pediu para que não se preocupassem com o seu estado de saúde

Efe e Associated Press,

28 de fevereiro de 2008 | 14h14

Os três americanos seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ainda padecem das lesões sofridas na queda do avião no qual viajavam há cinco anos, disse nesta quinta-feira, 28, o ex-senador Luis Eladio Pérez. Libertado pela guerrilha com mais três ex-congressistas, Pérez lamentou que os rebeldes tenham retido as cartas que os três reféns entregaram a ele para que as enviasse a familiares e a líderes políticos americanos, inclusive ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.   Veja também: Sarkozy teme por vida de Betancourt e oferece ajuda Farc ameaçam Panamá e exigem libertação de guerrilheiros Filha se diz 'angustiada' com estado de Betancourt Por dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade Quem são os 4 reféns libertados na Colômbia   Pérez afirmou ainda que recebeu da seqüestrada Ingrid Betancourt algumas lembranças para seus familiares, entre elas um cinto feito por ela para sua filha, Melanie Delloye. O ex-refém disse em Caracas que a ex-candidata presidencial franco-colombiana entregou os presentes para ele em 4 de fevereiro, dia no qual os rebeldes começaram a levá-lo ao local onde seriam libertados. Após entregar as lembranças, a refém se despediu "com uma emoção muito grande", acrescentou Pérez.   Betancourt pediu a ele que não se preocupasse com sua saúde, que "estava tentando se recuperar um pouco" com um cálcio e algumas vitaminas que os rebeldes tinham fornecido a ela. "Ela me disse: goze de cada minuto de liberdade", lembrou Pérez, que esteve seis anos e oito meses em poder das Farc. Pérez confessou que lhe "parte a alma" lembrar este último encontro com Betancourt, pois não pôde fazer nada para tirá-la da selva. "Ingrid, para as Farc, é o pote de ouro neste desgraçado processo", afirmou o ex-refém.   O ex-senador relatou em Caracas que os rebeldes haviam confiscado na terça-feira algumas cartas que levava escondidas "no lugar mais íntimo do corpo". Numa entrevista à rádio colombiana Caracol, Pérez afirmou que os textos dos três reféns americanos tinham como destinatários familiares deles, Bush, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, e os pré-candidatos Barack Obama (democrata) e John McCain (republicano).   Segundo ele, as mensagens tinha como objetivo "sensibilizar a opinião pública com relação à tragédia que estão vivendo, (uma situação) de abandono pavoroso" por parte da sociedade americana.   Pérez disse ter passado os últimos seis meses de cativeiro ao lado dos três americanos. "O mais velho deles, o piloto Thomas Towse (de 54 anos), tem dores de cabeça recorrentes" por causa de uma batida sofrida na queda do avião que pilotava em fevereiro de 2003, relatou o ex-congressista. Os outros reféns - Marc Gonsalves, de 35 anos, e Keith Stansell, de 45 - têm problemas na coluna e no joelho, também por causa do acidente. Além disso, todos eles contraíram diversas doenças durante o cativeiro na selva. Os três foram capturados pelas Farc depois que o avião no qual viajavam caiu em uma área controlada pelos rebeldes cinco anos atrás.

Tudo o que sabemos sobre:
FarcColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.