Farc, um fantasma que assombra o Equador

Claudia Caimito, umaagricultora colombiana, não tem medo de confessar que desde os3 anos de idade fornece alimentos para a guerrilha ForçasArmadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que para realizarsuas vendas ingressa no território equatoriano. Para a jovem de 21 anos, a vila equatoriana de Puerto Nuevo-- um assentamento localizado a leste de Quito e no qual moram800 pessoas, em sua maioria colombianos -- é o cenário maisadequado para suas transações comerciais porque não existe"nenhum tipo de perseguição ou ameaça como do outro lado dafronteira". Centenas de colombianos iguais a Caimito prejudicam osesforços do Equador para evitar a incursão e a atividade em seuterritório de membros das Farc, grupo que teve um de seuslíderes mortos pela Colômbia no dia 1o de março em umacampamento clandestino localizado dentro do lado equatorianoda fronteira. A operação que matou Raúl Reyes, porta-voz das Farc,provocou uma crise diplomática na região e chamou atenção paraos problemas enfrentados pelo Equador ao tentar controlar suafronteira de quase 600 quilômetros com a Colômbia frente a umgrupo armado que mantém fortes laços com os territórios dospaíses vizinhos. "Tenho de vender plátano e iúca para conseguir sobreviver etenho de vender esses produtos a eles, às Farc. Não há outraalternativa de vida aqui", disse Caimito, mãe de três filhos eque costuma trafegar entre Puerto Nuevo e as plantações deTeteye, seu povoado natal, localizado do lado colombiano dafronteira. Os EUA vêem na fronteira da Colômbia com o Equador umcorredor estratégico para o tráfico de armas, munições e drogasrealizado pelas Farc e por outros movimentos que classifica de"terroristas". Em vista disso, o governo norte-americanodefende que se adotem medidas enérgicas para enfrentar oproblema na região. Esses esforços, no entanto, revelam-se complicados porque oEquador declara-se neutro frente ao violento conflito queatinge a Colômbia, apesar dos apelos do governo colombiano paraque feche as fronteiras às Farc. A Colômbia argumenta queninguém pode sentir-se tranquilo quando a casa do vizinho estáem chamas. Os pequenos povoados, formados por moradias precárias,caminhos de pedra e portos improvisados, oferecem mais do quecentros de abastecimento para as Farc porque, ao que parece, osmoradores deles transformaram-se em "informantes" da guerrilha,prejudicando assim as operações de controle da fronteira. O Equador destruiu, nos últimos quatro anos, quase 117bases clandestinas de grupos ilegais montadas em seuterritório, entre os quais laboratórios para a produção dedrogas. Mas só capturou, nesse mesmo período, noveguerrilheiros.

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