Farc voltam a prometer libertação de duas reféns

Em programa de TV, guerrilha reitera que soltura não aconteceu por operações do Exército colombiano

Efe,

08 de janeiro de 2008 | 07h24

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) voltaram a afirmar nesta segunda-feira, 7, ao telejornal colombiano Noticias Uno que soltarão a assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002, e a ex-senadora Consuelo de Perdomo, como foi prometido ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Veja TambémCronologia: do seqüestro à perspectiva de liberdadeEntenda o que são as Farc O programa citou respostas do porta-voz das Farc, Raúl Reyes. Ele também confirmou que Emmanuel, o filho de Clara Rojas e de um guerrilheiro, está sob a custódia do governo colombiano. Nas respostas, datadas de 4 de janeiro, Reyes diz que "as Farc não mudam de opinião, não mentem e nem manipulam", e afirma que as duas mulheres que estão "sob sua responsabilidade" serão entregues.  Além disso, as Farc repetiram que Clara Rojas e Consuelo González ainda não foram entregues devido às intensas operações do Exército colombiano. Em nenhuma resposta, segundo a TV colombiana, as Farc explicam por que prometeram ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que entregariam três reféns, quando pretendiam soltar apenas duas. No dia 31 de dezembro, o grupo rebelde afirmou que não poderia colocar em liberdade os reféns Clara Rojas, ex-assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt (também seqüestrada), seu filho Emmanuel e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo, devido à ofensiva militar realizada pelo governo na selva colombiana. No entanto, na semana passada foi descoberto por meio de um exame de DNA que as Farc não tinham em seu poder o menino Emmanuel, que foi encontrado em um orfanato em Bogotá.  Segundo o telejornal, os rebeldes insistem que para iniciar conversas sobre a troca dos outros seqüestrados é preciso desmilitarizar Pradera e Florida, duas localidades de Valle del Cauca. O governo colombiano se nega a aceitar a imposição.   A polícia colombiana capturou seis supostos milicianos das Farc na rodoviária da cidade de Popayán, informaram fontes oficiais. O coronel William Alberto Montezuma disse a jornalistas nesta segunda-feira que os seis foram capturados no Terminal de Transportes de Popayán, no sudoeste do país. Segundo informações de inteligência, os homens pertencem à coluna Jacobo Arenas. Montezuma acrescentou que a polícia investiga se os guerrilheiros tinham planos para promover ataques contra a infra-estrutura elétrica ou contra membros da Polícia ou do Exército da Colômbia. Comissões humanitárias O governo da Colômbia anunciou nesta segunda-feira que não aceitará a participação de novas comissões internacionais humanitárias em seu território, como a que participou no final do ano da frustrada operação de resgate de três reféns do grupo rebelde. Segundo a BBC, o chanceler colombiano, Fernando Araújo, explicou que a decisão foi tomada devido à falta de credibilidade dada à posição do governo de Álvaro Uribe durante a operação de resgate que tinha como base a cidade de Villavicencio, a 95 km da capital, Bogotá. "Esta comissão que veio à Villavicencio, em um ato de transparência e abertura do governo colombiano, chegou com um discurso muito carregado contra o governo e muito favorável às Farc", disse Araújo. Na ocasião, integraram a comissão internacional o assessor especial da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e representantes dos governos de Cuba, Equador, Bolívia, França e Suíça. O chanceler colombiano afirmou que a comissão internacional colocou em dúvida as informações provenientes do governo da Colômbia, admitindo apenas como "reais as mentiras das Farc". Araújo disse que nessas condições, as comissões internacionais que, a seu ver, "não conhecem os problemas da Colômbia, nem das Farc", servem apenas para criar um cenário favorável para a guerrilha junto à comunidade internacional. "Acreditamos que devemos cortar isso pela raíz e não devemos seguir permitindo", disse o chanceler colombiano. Chávez, que coordenou a frustrada operação de resgate, disse no domingo que continua esperando um novo contato das Farc para colocar em liberdade as duas reféns, mas não mencionou, como em ocasiões anteriores, se desta vez poderia utilizar métodos clandestinos para realizar o resgate.

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