Fariñas e outros 22 são detidos por seis horas em delegacia de Cuba

Dissidente disse foi preso quando participava de um protesto contra despejo de uma mulher grávida

Efe

27 de janeiro de 2011 | 04h47

Fariñas é um dos mais famosos dissidentes cubanos.

 

HAVANA - O dissidente cubano Guillermo Fariñas, agraciado no ano passado pelo Parlamento Europeu com o prêmio Sakharov, permanecer detido por seis horas em uma delegacia da cidade de Santa Clara entra a quarta e a quinta-feira, informou o próprio opositor.

 

Em conversa telefônica da sua casa em Santa Clara, Fariñas explicou que foi detido por agentes da polícia cubana junto a outras 22 pessoas por "escândalo público" quando participavam de um protesto pelo despejo de uma mulher grávida e mãe solteira de dois filhos que se instalara em um imóvel abandonado.

 

A maior parte dos detidos são membros do Fórum Antitotalitário Unido, liderado por Fariñas em Santa Clara, e da Coalizão Central Opositora, além de outros quatro cidadãos que não pertencem a organização dissidente alguma, segundo o relato do também psicólogo e jornalista independente.

 

Fariñas explicou que a mulher que estava sendo despejada pediu ajuda aos grupos de direitos humanos de Santa Clara, que acudiram para prestar assistência a ela. Centenas de pessoas, segundo o dissidente, participaram do protesto.

 

Na sequência, agentes da política detiveram Fariñas e outras 22 pessoas e os conduziram a diversas dependências policiais da região.

 

O dissidente cubano afirmou que não foi maltratado durante a detenção, detalhou que emitiram uma "ata de advertência" contra ele e que, após a detenção de cerca de seis horas, foi levado para casa em um carro da polícia.

 

Em 24 de fevereiro, depois da morte do opositor detido Orlando Zapata Tamayo após 85 dias de jejum, Guillermo "Coco" Fariñas iniciou uma greve de fome para exigir a libertação dos prisioneiros políticos mais doentes.

 

A greve durou até 8 de julho, depois de o governo cubano ter anunciado seu compromisso em libertar 52 dissidentes do Grupo dos 75.

 

A detenção desta quarta-feira, 26, foi a primeira de Guillermo Fariñas após sua última greve de fome. Antes desse jejum, o dissidente também havia sido detido durante o sepultamento de Orlando Zapata.

 

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