Desmond Boylan/Reuters
Desmond Boylan/Reuters

Fariñas encerra greve de fome

Dissidente cubano concorda em interromper jejum que fazia pela libertação de presos políticos

estadão.com.br

08 Julho 2010 | 14h52

HAVANA - O dissidente político cubano Guillermo Fariñas decidiu encerrar a greve de fome que fazia há 135 dias em protesto para a libertação de presos políticos doentes por parte do governo, informaram nesta quinta-feira, 8, opositores.

 

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A decisão de Fariñas ocorre um dia depois de a Igreja Católica de Cuba anunciar que entrou em acordo com Havana para que 52 presos políticos fossem libertados.

 

Momentos após o anúncio, a blogueira opositora Yoaní Sanchez postou em seu Twitter (@yoanisanchez) uma foto do "primeiro copo d'água" de Fariñas em mais de quatro meses.

 

Fariñas havia iniciado a greve em 24 de fevereiro, um dia depois de o preso opositor Orlando Zapata morrer após ficar 85 dias de jejum. Sem beber nem comer, em 11 de março Fariñas foi hospitalizado e passou a receber soro via intravenosa. Ele protestava pela libertação de 26 prisioneiros doentes.

 

Pouco tempo depois do anúncio dos opositores, Fariñas divulgou um comunicado afirmando que adia seu protesto durante o prazo dado pelo governo de Raúl Castro, de entre três e quatro meses, para libertar gradualmente 52 presos políticos do chamado "grupo dos 75", condenados na série de detenções de opositores ao regime em 2003, que ficou conhecida como Primavera Negra.

 

"Me comprometo a curar-me diante de meus irmãos", disse. No texto, Fariñas agradece a solidariedade "de todos os homens e mulheres de boa vontade no mundo que foram meu escudo protetor contra manobras repressivas", ressalta o trabalho "heróico e digno" das Damas de Branco e lembra "todos os cubanos solidários com a liberdade de Cuba e dos que estão nas prisões, no exílio ou nas ruas desta terra".

 

Libertação

 

Nesta quinta, opositores cubanos, liderados por familiares de presos políticos, viajaram à cidade de Santa Clara, no centro de Cuba, para pedir que o dissidente, um jornalista e psicólogo de 48 anos, interrompesse sua greve de fome, segundo informações da agência de notícias AFP. O pedido dos opositores foi feito enquanto aguardavam a libertação de cinco presos políticos cubanos.

 

De acordo com o Arcebispado de Havana, o governo cubano libertará 52 presos políticos. A medida, divulgada durante uma visita à ilha do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, é resultado da pressão internacional sobre Cuba para que a situação dos direitos humanos no país fosse melhorada. Cinco presos serão libertados entre nesta quarta e os outros 47 em até quatro meses.

 

Fariñas, que esteve em greve de fome e sede há 135 dias para exigir a libertação dos presos com problemas de saúde, havia dito que estaria disposto a começar a beber água uma vez que sejam liberados os primeiros cinco, segundo o médio Ismely Iglesias, que acompanha o opositor.

 

Os 52 opositores são todos parte do grupo de 72 opositores presos em 2003, na onda repressiva conhecida como Primavera Negra, e são condenados a penas de seis a 28 anos de prisão. A libertação deles foi discutida pelo presidente Raúl Castro e pelo cardeal Jaime Ortega em 19 de maio.

 

As autoridades e a Igreja ainda não divulgaram os nomes dos cinco presos que serão libertados, nem o horário que ocorrerá a soltura.

 

(Atualizado às 16h37)

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