Alejandro Ernesto/Efe
Alejandro Ernesto/Efe

Fariñas usa sua cédula de voto para pedir liberade de presos políticos

Dissidente anulou seu voto com o gesto e afirmou que eleições em Cuba são uma farsa

25 de abril de 2010 | 21h20

Efe

 

HAVANA- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, há dois meses em greve de fome, usou neste domingo, 25, sua cédula de voto nas eleições municipais para escrever frases em favor da liberdade dos presos políticos e contra Fidel e Raúl Castro, anulando seu voto.

 

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"Anulei o voto porque eu havia feito um incitamento aos cidadãos para que participassem (das eleições), mas anularam seus votos", disse Fariñas à Efe por telefone do hospital onde está internado há mais de um mes em Santa Clara, a cerca de 300 km de Havana.

 

Segundo o dissidente, uma integrante da Comissão Eleitoral levou a cédula até a sua cama na UTI do hospital, na qual também escreveu "abaixo a dinastia dos Castro" e "Zapata vive depois de morto", a assinou e depois leu as frases em voz alta.

 

"Acredito que as eleições em Cuba são 'pseudo-eleições' e uma farsa", reiterou Fariñas, que destacou como "primeiro grande defeito" desse processo a inexistência de "uma livre postulação dos candidatos", pois um aspirante "tem de passar por um processo aberto na vizinhança".

 

O opositor criticou que a Comissão Eleitoral tenha "poder de decidir quem tem as condições como candidato", que as eleições "não têm supervisão internacional", e denunciou a "pressão social por parte do Estado sobre as pessoas para que vão votar".

 

O jornalista e psicólogo de 48 anos começou sua greve de fome em 24 de fevereiro, um dia depois da morte do preso político Orlando Zapata, que ficou em jejum por 85 dias.

 

Nas eleições deste domingo, os cubanos maiores de 16 anos elegeram mais de 15.000 delegados (vereadores) das Assembleias Municipais do Poder Popular da ilha, processo realizado a cada dois anos e meio.

 

Pariticipação

 

A participação dos cubanos nas eleições realizadas neste domingo para renovar os governos locais da ilha superou 93%, segundo dados oficiais e ainda preliminares divulgados por meios locais.

 

Uma hora antes de as mesas eleitorais fecharem, mais de oito milhões de eleitores dos 8,4 convocados tinham votado, o que representa uma porcentagem de 93,49%.

 

Cuba realizou eleições para designar os mais de 15 mil delegados (vereadores) das 169 assembleias municipais do país.

 

A participação em massa é a norma nos processos eleitorais da ilha, governada pelo Partido Comunista, o único permitido em Cuba.

 

Os mais de 34 mil candidatos que concorriam a estes postos locais foram escolhidos em 50 mil assembleias populares realizadas nos últimos meses.

 

Este pleito tem um caráter parcial, já que será repetido no dia 2 de maio nos casos em que acontecer empate entre os candidatos ou o mais votado não superar 50% de apoio.

 

Em Cuba há eleições municipais a cada dois anos e meio e a Assembleia Nacional (Legislativo) é renovada a cada cinco.

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