Isaac Urrutia/Reuters
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Farpas de Capriles unem 'chavistas' na Venezuela, diz estrategista

Para Andrés Izarra, votação deve resultar em uma vitória maior para os socialistas do que em 2012

Reuters

19 de março de 2013 | 13h55

CARACAS - Partidários do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez irão punir o líder da oposição Henrique Capriles por suas farpas contra o governo em uma votação no próximo mês que deve resultar em uma vitória maior para os socialistas do que no ano passado, afirma um estrategista da campanha de Nicolás Maduro.

A corrida para a eleição de 14 abril para escolher o sucessor de Chávez, que morreu de câncer há duas semanas, tem sido caracterizada por ataques pessoais amargos entre Capriles e o presidente em exercício e herdeiro político de Chávez, Nicolás Maduro.

Andrés Izarra disse que tinha mobilizado os partidários chavistas pela candidatura de Maduro e o colocado no caminho para uma vitória maior do que a de Chávez sobre Capriles em outubro passado, por 11 pontos. "Até os chavistas moderados estão muito motivados, eles estão realmente tristes com a perda de Chávez", disse Izarra, amigo e ex-ministro de Chávez, à Reuters.

"Eles estão indignados com a atitude da oposição, a forma como eles zombaram da morte de Chávez. As pessoas estão furiosas com Capriles. Eles vão fazê-lo pagar". Na segunda-feira, Capriles repreendeu Maduro como uma imitação fraca de Chávez e um fantoche de Havana.

Assumindo uma linha mais hostil do que em sua campanha presidencial no ano passado, Capriles acusou Maduro de mentir sobre os dias finais de Chávez para minimizar a gravidade de seu câncer durante a preparação nos bastidores de uma campanha eleitoral para substituí-lo.

Maduro, seus partidários e parentes de Chávez acusaram Capriles de insultar a sua tristeza. Capriles disse que está arrependido por qualquer ofensa que possa ter sido percebida pela família, mas repetiu seus ataques a Maduro.

"Eu acho que podemos vencer por uma margem maior do que a de Chávez sobre Capriles... mas não haverá nenhum triunfalismo", disse Izarra.

"FILHO DE CHÁVEZ"

A única pesquisa feita por um grande instituto de pesquisa do país desde a morte de Chávez justificou o otimismo do governo, dando a Maduro uma vantagem de 14 pontos sobre Capriles.

Mas a oposição está esperando conquistar os eleitores e combater o efeito da simpatia após a morte de Chávez por meio da distinção entre Maduro e seu ex-chefe imensamente popular. Eles estão tentando mostrá-lo como um gestor incompetente incapaz de resolver uma série de problemas de base.

Izarra, que teve várias passagens como ministro de Informação de Chávez, disse que comandar uma campanha eleitoral sem ele era estranho depois de mais de dezenas de votações durante seu regime de 14 anos.

"O país inteiro se sente realmente estranho (sem Chávez)", afirmou ele, com os olhos lacrimejando ao recordar o trabalho ao lado do líder socialista sempre teatral que se tornou famoso no mundo inteiro por seus longos discursos e sua retórica radical.

"Ele era um gênio na comunicação. Era sempre o próprio Chávez que decidia os elementos da campanha, as formas de trabalho, os temas... Ele é uma inspiração permanente nesta nova batalha eleitoral."

Izarra disse que a campanha do governo iria incidir sobre a personalidade de Maduro, um ex-motorista de ônibus que vem enfatizando suas raízes na classe trabalhadora, como Chávez sempre fez.

Maduro, 50 anos, foi de ônibus registrar sua candidatura na semana passada, para a alegria dos partidários - e zombaria dos inimigos, que denunciam sua falta de educação universitária. "Maduro é filho de Chávez, um homem do povo... É um contraste crucial com o candidato da oposição", declarou Izarra, referindo-se ambiente familiar rico de Capriles.

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