Félix causa destruição na Nicarágua e mata ao menos três

Atingindo a costa na categoria 5, furacão arrancou telhados e deixou dez feridos e um desaparecido

Agências internacionais,

04 de setembro de 2007 | 19h31

O furacão Félix alcançou nesta terça-feira, 4, o nordeste da Nicarágua na categoria 5, deixando ao menos três mortos, dez feridos e um desaparecido na cidade portuária de Puerto Cabezas. Os ventos, que atingiram a marca de 260 km/h, arrancaram telhados e causaram estragos. "A situação é caótica. Puerto Cabezas está sendo totalmente destruída", segundo uma autoridade local.   Felix perde intensidade ao atingir Nicarágua   Félix atingiu a costa nicaragüense na categoria máxima na escala Saffir-Simpson, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Mas, ao alcançar terra firme, caiu para a categoria 3. O furacão pode ainda provocar chuvas, inundações e deslizamento de terra também em Honduras e na Guatemala.   Num intervalo de doze horas, o Felix passou no domingo de tempestade tropical para furacão, destelhando abrigos e derrubando postes de eletricidade na costa do Caribe. Antes de atingir a terra, mais de 12 mil pessoas foram retiradas do nordeste da Nicarágua. Cerca de 70 mil hondurenhos foram levados para abrigos, mas 15 mil pessoas não tinham conseguido arranjar transporte e tiveram de ficar em casa.   Árvores foram arrancadas pelas raízes e saíram voando, e milhares de pessoas se abrigaram em duas escolas na cidade, onde moram cerca de 30 mil habitantes, a maioria índios miskito.   "A expectativa é que ele faça os rios transbordarem, cause deslizamentos e afete as estradas, por isso estamos pedindo às cidades que tomem medidas preventivas e retirem a população das áreas mais perigosas", disse José Ramón Salinas, da defesa civil de Honduras.   "É uma situação muito grave" que pode colocar em perigo a vida das pessoas e que "atingirá tanto a Nicarágua como Honduras e Guatemala", disse à agência Efe um meteorologista do NHC. Ele afirmou que a população deve permanecer "em suas casas ou preferivelmente nos refúgios" até que o furacão passe.   O Félix chegou à costa na categoria máxima, suscitando o temor de que se repetisse a tragédia da passagem do furacão Mitch, que em 1998 matou cerca de 10 mil pessoas na região. "Pode haver graves danos e perdas materiais e humanas se as pessoas não tomarem medidas de prevenção", disse o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.   O Félix diminuiu de intensidade, passou a ser um furacão de categoria 3 ao entrar no continente, mudou depois para a categoria 2 e em seguida para a 1, mas continuava perigoso.   A única informação positiva é a de que se trata de um furacão de raio de ação reduzido, pois os ventos do furacão se estendem para fora até 75 quilômetros do centro e os ventos de força de tempestade tropical se estendem para fora até 185 km/h.   Tempestades na América Central   O Félix é o segundo furacão da temporada de 2007 no Atlântico e também o segundo a atingir a categoria 5. Seu antecessor, o Dean, matou 27 pessoas no Caribe e no México em agosto.   Ainda nesta terça, uma outra tempestade denominada Henriette ganhou força e se transformou em um furacão de categoria 1. Antes de ser classificado como furacão, o Henriette deixou sete mortos em Cabo San Lucas e Acapulco, no México, no fim de semana. Com ventos de 140 quilômetros por hora, o furacão chegou hoje na Península da Baixa Califórnia, região no Oceano Pacífico mexicano.   Nesta temporada, que começou no dia primeiro de junho e que vai até 30 de novembro, foram formadas cinco tempestades tropicais, "Andrea", "Barry", "Chantal", "Dean" e "Erin".   A temporada de furacões na bacia atlântica terá uma atividade maior que o normal, afirmou William Gray, professor de Ciências Atmosféricas da Universidade do Colorado (EUA), embora não vá ser tão ativa como as de 1995, 2004 e 2005.   Gray afirmou em sua última previsão, em agosto, a formação de 15 tempestades e de oito furacões, dos quais quatro iam ser intensos.   Os meteorologistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, com sede em Washington, prevêem a formação de sete a nove furacões, dos quais entre três e cinco podem se tornar ciclones de grande intensidade.

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