Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Fernando Lugo diz que só milagre o leva de volta à Presidência

De acordo com o ex-presidente, as portas políticas e jurídicas foram fechadas

estadão.com.br,

26 de junho de 2012 | 14h11

Texto atualizado às 20h25

ASSUNÇÃO - O presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, disse nesta terça-feira, 26, que somente um milagre pode fazê-lo retornar ao poder, pois as portas jurídicas e políticas foram fechadas. Ele anunciou, no entanto, que fará uma cruzada para explicar ao povo paraguaio os bastidores do julgamento político relâmpago que o tirou da Presidência.

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O ex-bispo católico deixou o governo na sexta-feira, 22, após o Congresso considerá-lo culpado por mau desempenho em um julgamento político que durou menos de dois dias. Em seu lugar assumiu o então vice-presidente Federico Franco, que deve ficar no poder até o fim do mandato em agosto de 2013.

Os advogados do ex-presidente apresentaram uma ação de inconstitucionalidade em meio ao julgamento político, alegando que Lugo não teve as garantias mínimas para a defesa, mas a Corte Suprema de Justiça do país rejeitou o recurso na segunda-feira.

"No âmbito legal, todas as portas se fecharam ontem quando deram a constitucionalidade do processo e o reconhecimento da justiça eleitoral. Legalmente não existe um caminho para reverter esta situação", disse Lugo em entrevista à Reuters em Assunção.

O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) decidiu que Franco é o presidente constitucional. "Há uma possibilidade impossível, milagrosa, na qual o mesmo Parlamento possa decidir que se equivocou e que recua... fica o caminho político, mas o consenso no Parlamento me parece impossível", acrescentou.

O ex-bispo, que há seis anos largou a batina para se dedicar à política, anunciou que fará uma cruzada pelo país na qual reunirá simpatizantes para explicar porque o julgamento político por mau desempenho resultou em um critério para seu impeachment.

Ausente da reunião do Mercosul

O governo Franco está isolado regionalmente depois que Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Uruguai ou retiraram ou chamaram seus embaixadores em Assunção para consultas.

O bloco Mercosul, do qual o Paraguai participa ao lado de Argentina, Brasil e Uruguai, suspendeu a participação de representantes do novo governo paraguaio na cúpula que será realizada na sexta-feira na província argentina de Mendoza por considerar ilegítima a destituição de Lugo.

O ex-bispo pretendia comparecer à cúpula na Argentina, mas desistiu nesta terça-feira para não pressionar os presidentes do bloco. O novo governo paraguaio já havia advertido Lugo que ele poderia ser processado caso tentasse representar o país ou interviesse nas deliberações da reunião. "Não desejo que os demais presidentes se sintam pressionados para analisar a situação do meu país", disse Lugo em declarações divulgadas pela emissora de televisão Canal 4, de Assunção.

"Ele (Lugo) disse que prefere não intervir na cúpula do Mercosul para que os presidentes participantes não se sintam pressionados pela sua presença", confirmou à Associated Press o porta-voz de Lugo, Rubén Penayo. O novo ministro de Relações Exteriores José Félix Fernández havia advertido que "o Paraguai é representado pelo presidente Federico Franco e não me parece adequado que o ex-presidente de atribua responsabilidade que não tem mais" e que "se o fizer, vai se expor ao ordenamento legal da república".

Com Associated Press e Reuters

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