Fidel acusa Brown de ser racista com Obama

Segundo líder cubano, primeiro-ministro britânico tratou presidente americano com preconceito

Agências internacionais,

15 de abril de 2009 | 01h49

Em seu quarto artigo em menos de 24 horas, o líder cubano Fidel Castro acusou na terça-feira, 14, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, de "tratar com preconceito" o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "por sua condição de homem negro".

 

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Segundo Fidel, na recente reunião de líderes mundiais em Londres, "o primeiro-ministro britânico se comportou de forma visivelmente depreciativa com os participantes do Terceiro Mundo". O líder cubano diz ainda que Brown "tratou com preconceitos o próprio Obama". As críticas a Brown chegam após Fidel dizer a Obama, em dois artigos anteriores, que o fim de algumas restrições a Cuba é uma medida "positiva", porém "mínima", e que a ilha não procura "esmolas".

 

Elogios a Obama

 

Em outros dois artigos, Fidel elogiou o anúncio do governo de Obama de levantamento de algumas restrições impostas à ilha. No entanto, ele disse que mais mudanças são necessárias e criticou a Casa Branca por manter em vigor o embargo econômico contra Cuba.  "A medida de aliviar as restrições às viagens é positiva, mas mínima", escreveu Fidel em seu segundo artigo, publicado em um site oficial na manhã de ontem e lido duas vezes no noticiário da TV estatal cubana.

O líder criticou em particular a política de Washington de conceder asilo para os cubanos que conseguem chegar em solo americano o que, segundo ele, encoraja a população a deixar Cuba. "Gostaríamos de saber se os privilégios migratórios utilizados para combater a Revolução Cubana e despojá-la de recursos humanos serão concedidos também a todos os latino-americanos e caribenhos", questionou Fidel.

Na segunda-feira, os EUA romperam com décadas de política de isolamento de Cuba ao anunciar medidas para facilitar o contato entre cubano-americanos e parentes que moram na ilha. Foram eliminadas as restrições de visitas de cubano-americanos a Cuba e os limites das remessas de recursos à ilha. Durante o governo do ex-presidente George W. Bush, as viagens só eram possíveis a cada três anos e os cubano-americanos só podiam enviar até US$ 300 por trimestre para seus parentes na ilha.

As duas medidas foram promessa de campanha do presidente Obama e servem como um gesto de boa vontade para os países da América Latina, às vésperas da Cúpula das Américas, que começa na sexta-feira em Trinidad e Tobago.

Na primeira coluna publicada na noite de segunda-feira, Fidel reclamou que o anúncio feito por Washington não mencionou "nenhuma palavra" sobre o embargo imposto pelos EUA à ilha há quase 50 anos. "Há condições para que Obama use seu talento em uma política construtiva que ponha fim a algo que fracassou por quase meio século", ressaltou o líder cubano. Fidel descreveu o embargo como uma forma de "genocídio" que prejudica a economia cubana e causa dor e sofrimento para o povo de Cuba ao negar equipamentos médicos e remédios para a ilha. O fim do embargo, porém, não depende de Obama, mas do Congresso americano.

Apesar das críticas, Fidel deixou claro que não duvida da sinceridade de Obama e de seu desejo de mudar a política e a imagem dos Estados Unidos: "Ele não é responsável pelo que já ocorreu e tenho certeza de que não cometeria as atrocidades que Bush cometeu."

"OEA lixo"

 

Antes, Fidel respondeu ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Miguel Insulza, e afirmou que o país não deseja voltar para s instituição, a qual qualificou de "infame" e "lixo". Insulza afirma que, para entrar na OEA, Cuba tem primeiro que ser aceita pela instituição. Ele sabe que nós não queremos sequer escutar o infame nome", diz o ex-presidente no artigo, divulgado pela imprensa oficial.

 

A OEA "não prestou um só serviço a nossos povos; é a encarnação da traição. Se forem somadas todas as ações agressivas das quais foi cúmplice, estas alcançam centenas de milhares de vidas e acumulam dezenas de anos violentos", acrescenta Fidel. Para o líder cubano, "a OEA tem uma história que recolhe todo o lixo de 60 anos de traição aos povos da América Latina". Fidel respondeu a declarações nas quais Insulza afirma que "Cuba deve expressar claramente o compromisso com a democracia se quer voltar à OEA, como exige um crescente grupo de governos latino-americanos".

 

Cuba foi excluída da OEA em 1962, dias antes de o então presidente americano, John F. Kennedy, ordenar o embargo comercial contra o país. O ex-presidente cubano afirma que Insulza "inclusive ofende" ao acreditar que Cuba deseja "ingressar na OEA". "O bonde já passou há muito tempo, e Insulza não percebeu ainda. Algum dia, muitos países pedirão perdão por ter pertencido a ele", acrescenta o artigo.

 

O líder cubano dedica também algumas palavras à greve de fome do presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundo Fidel, o boliviano "obteve uma clara e contundente vitória" sobre a oposição com o ato, com o qual pretendia realizar novas eleições nas quais espera ser reeleito.

 

Matéria atualizada às 7h25.

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