Fidel acusa Obama de mentir e descarta capitalismo em Cuba

Ex-presidente cubano nega querer exportar socialismo aos EUA e volta a criticar manutenção do embargo

Agências internacionais,

23 de abril de 2009 | 08h21

O líder cubano Fidel Castro acusou na quarta-feira, 22, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de usar a "mentira" para justificar que não pode mudar a política para Cuba e descartou uma "democracia capitalista" na ilha. O ex-presidente afirmou ainda que não pretende "exportar" à nação o sistema político de seu país, o único comunista do continente.

 

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Íntegra do artigo no site Cubadebate (em espanhol)

 

"Não solicitamos a democracia capitalista na qual o senhor se formou e na qual sinceramente e com todo direito acredita. Não pretendemos exportar nosso sistema político aos Estados Unidos", disse Fidel em novo artigo da série Reflexões, divulgado pela imprensa estatal intitulado "A Cúpula e a Mentira".

 

"Nós compreenderíamos melhor as limitações reais que o novo presidente dos EUA tem para introduzir mudanças na política de seu país para a nossa pátria do que o uso da mentira para justificar suas ações". No texto, Fidel ainda critica Obama por manter o embargo imposto em 1962 e as políticas de seu antecessor, George W. Bush, como a emissora de rádio e televisão anticastrista que transmite mensagens para a ilha.

 

"O índice de mortalidade infantil em Cuba é menor que o dos Estados Unidos; há muito tempo não há analfabetos; as crianças brancas, negras ou mestiças vão todos os dias à escola, dispõem de possibilidades iguais de estudo, incluídos os que requerem educação especial", afirmou o ex-presidente cubano. "Alcançamos não toda a justiça, mas sim o máximo de justiça possível. Todos os membros da Assembleia Nacional são indicados e escolhidos pelo povo, votam mais de 90% da população com direito a voto", acrescenta. "No subconsciente, Obama compreende que Cuba tem prestígio pelos serviços dos médicos na região e até dá mais importância que nós mesmos. Talvez sequer tenham informado de que Cuba enviou os médicos não só à América Latina e ao Caribe, mas também a vários países da África, a países asiáticos", ressaltou.

 

Fidel reitera a crítica a vários artigos dos últimos dias que o embargo comercial que os Estados Unidos aplicam a Cuba desde 1962 "sequer foi mencionado" na declaração final da Cúpula das Américas realizada no fim de semana passado em Trinidad e Tobago. Segundo o líder cubano, na reunião "se percebia uma estratégia arrumada para exaltar as posições mais afins aos interesses dos EUA e mais opostas às políticas partidárias das mudanças sociais, à unidade e à soberania dos povos".

 

Fidel também falou sobre a polêmica levantada pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que afirmou que, na Cúpula das Américas, houve censura e que alguns governantes foram vítimas de maus-tratos. "Perguntei e ele me contou que seis dirigentes de alto nível tiveram que esperar na pista (de Port of Spain): Lula; (Stephen) Harper, do Canadá; (Michelle) Bachelet, do Chile; Evo (Morales), da Bolívia; (Felipe) Calderón, do México e ele (Ortega), que era o sexto", conta Fidel. "O Motivo? Os organizadores, em um ato de adulação, decidiram isso para receber o presidente dos Estados Unidos. Daniel permaneceu as 3 horas dentro do avião da LACSA, ao ser retido no aeroporto sob sol radiante do Trópico".

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