Fidel Castro afirma que 'com Obama se pode conversar'

Ex-presidente cubano diz que futuro presidente dos EUA tem 'mais domínio da arte da política'

Agências internacionais,

05 de dezembro de 2008 | 07h47

 O ex-presidente cubano Fidel Castro se mostrou disposto a "conversar" com o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, ainda que tenha descartado acreditar que um novo governo em Washington melhore automaticamente as relações com Cuba. "Com Obama se pode conversar onde ele deseje, já que não somos predicadores da violência e da guerra", expressou o líder revolucionário em uma de suas "Reflexões", coluna de opinião publicada no jornal estatal cubano.   "É preciso recordar-lhe que a doutrina de compensações e castigos não terá vigência em nosso país", agregou Fidel, referindo-se à política americana de sanções contra a ilha empregada há mais de quatro décadas tentando provocar uma mudança no sistema comunista de governo. Fidel assinalou que "alguém tinha de dar uma resposta serena e tranqüila, que deve navegar hoje contra a poderosa maré das ilusões que Obama despertou na opinião pública internacional". "O império deve saber que nossa pátria pode ser transformada em pó, mas os direitos soberanos do povo cubano não são negociáveis", acrescentou.   Recentemente, o atual presidente e irmão de Fidel, Raúl Castro, assegurou que estaria disposto a encontrar Obama, mas em um lugar neutro, fora do território americano - como Guantánamo, por exemplo.   Fidel aproveitou ainda para criticas sobre as escolhas de Obama para o seu gabinete, especialmente a ex-rival Hillary Clinton, designada para o Departamento de Estado. Segundo o cubano, ela apóia o embargo comercial contra Cuba e chegou a assinar leis que acirraram a sanção. "Não estou reclamando, apenas apontando". Ele ainda mostrou surpresa com a permanência de Robert Gates no Departamento de Defesa.   Fidel indicou que, durante a campanha americana que culminou com a vitória de Obama em 4 de novembro, não deixou "de ser amável com o candidato democrata, em quem via muito mais capacidade e domínio da arte da política que nos adversários, não só no partido oposto, mas também no seu". No entanto, considerou que "sem a crise econômica, sem a televisão e sem a internet, Obama não ganharia as eleições vencendo o onipotente racismo". "Sua vitória também não aconteceria sem os estudos que realizou primeiro na Universidade da Colúmbia, onde se graduou em Ciências Políticas, e depois na de Harvard, onde obteve o título de Direito, o que lhe permitiu se transformar em um homem da classe 'modestamente rica', com apenas alguns vários milhões de dólares", disse.   Fidel, que assumiu o poder em Cuba quase 50 anos atrás após uma revolução armada, não aparece em público desde julho de 2006, quando foi submetido a uma cirurgia para tratar uma doença misteriosa. Mas ele tem se encontrado frequentemente com líderes estrangeiros e posado para fotografias.   Obama, que toma possa em 20 de janeiro, já cogitou uma melhoria nos laços entre Estados Unidos e Cuba, e declarou ser favorável ao facilitamento de algumas sanções norte-americanas impostas à ilha. Ele já disse que vai modificar as políticas do atual governo dos EUA que restringe as visitas e o envio de dinheiro dos cubano-americanos à Cuba. O embargo, entretanto, seria mantido como forma de pressionar por democracia em Cuba.   Raúl Castro assumiu oficialmente a Presidência cubana das mãos de Fidel em fevereiro, e já disse várias vezes que Havana deseja conversar com os Estados Unidos.

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