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Fidel Castro aparece na televisão pela primeira vez em quase um ano

Líder cubano concedeu entrevista sobre possível guerra entre EUA e Irã e conflito das Coreias

estadão.com.br, com agências internacionais,

12 de julho de 2010 | 19h57

HAVANA- O líder cubano Fidel Castro apareceu falando vagarosamente, mas pareceu relaxado e convincente em sua primeira aparição na televisão em pelo menos onze meses, em uma entrevista gravada transmitida nesta segunda-feira, 12.

 

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Um comunicado prévio publicado na imprensa local afirmou que Castro seria convidado "especial" para falar sobre a situação no Oriente Médio.

 

O ex-presidente  que completa 84 anos em agosto conversou sobre o conflito entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte no começo de sua entrevista no programa Mesa Redonda, um talk show diário sobre eventos atuais que geralmente é transmitido ao vivo para toda a ilha. Fidel estava sentado em uma espécie de escritório, em frente a uma mesa de madeira, onde também se encontrava o apresentador habitual do programa, Randy Alonso.

 

Em sua entrevista, Castro argumentou que "a Rússia e a China poderiam ter vetado e não vetaram" as recentes novas sanções ao Irã por seu controverso programa nuclear, acusado pelo Ocidente de encobrir a intenção de fabricar uma bomba atômica, o que Teerã nega insistentemente.

 

Segundo o ex-presidente, o desenvolvimento do conflito na Oriente Médio desencadeará um ataque nuclear dos Estados Unidos e Israel ao Irã, e a opinião pública deve estar preparada para isso.

 

"O pior é a resistência que vão encontrar, que não tinham no caso do Iraque", disse o ex-governante, que recordou que Cuba também esteve em perigo no começo da Revolução, durante a Crise dos Mísseis em 1962 - um dos momentos mais tensos da Guerra Fria que colocou o mundo na iminência de um conflito nuclear entre EUA, União Soviética e Cuba, quando Washington descobriu bases militares com mísseis nucleares soviéticos na ilha.

 

Fidel também leu muitos informes sobre o aumento do armamentismo e comentários de colunistas que criticaram a estratégia de segurança dos Estados Unidos e do presidente Barack Obama.

 

Antes de sua doença, que o mantém praticamente recluso desde 2006 e o obrigou a delegar o poder a seu irmão, Raúl Castro, Fidel era um participante quase cotidiano das "Mesas", nas quais participava durante horas, mas desde então se limitou a receber amigos em particular, enquanto a televisão e os jornais mostram imagens dos encontros.

 

Assista à primeira parte da entrevista de Fidel

 

(Reprodução do site CubaDebate)

 

Castro ainda se mantém politicamente ativo por meio das "Reflexões", colunas de opinião publicadas em meios de imprensa oficiais sobre temas nacionais, e ultimamente cada vez mais seguindo assuntos internacionais.

 

A transmissão da entrevista e sua saída em público ocorre enquanto Cuba prepara o envio à Espanha dos primeiros 20 presos políticos de 52 opositores que o governo liberará gradualmente em um prazo de quatro meses.

 

Em agosto de 2009, a televisão estatal mostrou um vídeo de Fidel Castro em um encontro com jovens venezuelanos que o visitaram em sua residência.

 

No último sábado, foi divulgado que Fidel visitou o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNIC), em sua primeira aparição pública desde 2006 fora de sua residência e documentada com fotografias.

 

A visita foi realizada na quarta-feira passada, mesmo dia em que seu irmão Raúl se reuniu com o cardeal Jaime Ortega, máxima autoridade católica de Cuba, e com o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, para anunciar o processo de libertação gradual de 52 presos políticos.

 

Segundo a blogueira Yoani Sánchez, que acompanhou a entrevista pela sua página no twitter, "a comparecência de Fidel Castro na TV é sobre a possível guerra Irã-EUA. Nem uma palavra sobre a situação interna de presos políticos". "A maior deterioração não está em seu estado físico, mas sim em sua retórica, típica do século passado", criticou a opositora.

 

Fidel Castro exerceu o Poder Executivo em Havana durante 49 anos e ainda é primeiro secretário do Partido Comunista, o único legal na ilha.

 

Atualizado às 23h56

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