UNPACU/Efe
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Fidel Castro censura Espanha e União Europeia por críticas a Cuba

Após morte de dissidente, ex-presidente diz que estrangeiros devem cuidar dos próprios problemas

Reuters

25 de janeiro de 2012 | 13h48

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro censurou a União Europeia e o governo espanhol por intervirem em assuntos da ilha, ordenando-lhes que se ocupassem dos próprios problemas, depois de fortes críticas a Havana após a morte de um preso, supostamente por maus-tratos, segundo um texto divulgado na quarta-feira, 25.

Em seu artigo, cujo título é "A fruta que não caiu", Fidel alude às recentes críticas a Cuba depois da morte de um homem que a dissidência cubana diz ser um dos seus e alega ter morrido em greve de fome, enquanto o governo e a mídia local o descrevem como um "preso comum" e negam a suposta greve.

"O governo espanhol e a arruinada União Europeia, mergulhada em uma profunda crise econômica, devem saber o que os esperam. Dá pena ler nas agências de notícias as declarações de ambos quando usam mentiras descaradas para atacar Cuba", escreveu Fidel.

"Tratem primeiro de salvar o euro, se puderem, resolvam o desemprego crônico que castiga em número cada vez maior os jovens e respondam aos indignados sobre quem a polícia arremete e golpeia constantemente", acrescentava o texto, divulgado pela mídia local no site oficial www.cubadebate.cu.

A morte, na terça-feira passada, de Wilman Villar Mendoza, de 31 anos, provocou críticas contra Cuba de países como Estados Unidos, Espanha e Chile, que culparam o governo de Havana de violar os direitos humanos. As críticas internacionais basearam-se no relato de dissidentes, que alegam que Villar morreu devido a uma greve de fome de 56 dias e a maus-tratos recebidos em uma prisão na província de Santiago de Cuba.

O governo cubano disse que Villar recebeu cuidados médicos e garante que seus problemas legais não provêm de ações políticas, mas de uma violenta disputa familiar pela qual foi condenado a quatro anos de prisão. Um comunicado oficial divulgado na semana passada disse que há provas de que ele não estava em greve de fome.

Fidel também instou a Espanha a ser crítica com o comportamento do arqui-inimigo de Cuba, os Estados Unidos, em matéria de direitos humanos. "Mais valeria realmente que o governo espanhol, dada as suas excelentes relações com Washington, viajasse aos Estados Unidos e se informasse do que ocorre nos cárceres ianques, a conduta implacável que é aplicada a milhões de presos, a política que é praticada com a cadeira elétrica e os horrores cometidos com os detidos nas prisões e com os que protestam nas ruas", escreveu.

Fidel, de 85 anos, foi substituído na Presidência da ilha em 2008 por seu irmão, Raúl, depois que uma doença o deixou perto da morte.

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