Fidel Castro completa 81 anos sem festa nem sinal de vida

Cuba comemorou discretamente nasegunda-feira o aniversário de 81 anos do líder Fidel Castro,que há um ano está afastado do poder devido a problemas desaúde. A data não teve a mesma carga de drama do ano passado,quando Fidel tinha acabado de transferir o poder para o irmãoRaúl, depois de uma operação no sistema digestivo que o deixouentre a vida e a morte, e pediu para que a comemoração fosseadiada. Os principais festejos este ano aconteceram no parqueLênin, um complexo recreativo ao sul de Havana, onde centenasde crianças da organização comunista Pioneros comemoraram comum enorme bolo verde com a inscrição "Felicidades, Comandante". Embora a doença de Fidel ainda seja um mistério, os cubanosparecem estar se acostumando a sua ausência e à liderança,oficialmente ainda provisória, de Raúl Castro. "O Comandante não vai aparecer. Sua saúde não permite. Achoque não volta mais", disse o aposentado José Manuel, 73, quecuidava dos netos num parque do bairro de El Vedado, no centrode Havana. O Granma, jornal do Partido Comunista, publicou em suaprimeira página na segunda-feira mensagens de cinco agentescubanos presos há nove anos nos Estados Unidos, acusados deespionagem. "Querido Fidel: Feliz aniversário, desde uma prisão doImpério, onde o carrego todos os dias em meu coração", escreveuum deles, Antonio Guerrero. Fidel não deu sinal de vida. Nos últimos quatro meses,Fidel vem escrevendo no Granma sobre política internacional edoméstica. O jornal Trabajadores, da Central de Trabalhadores de Cuba,saiu com uma foto de Fidel e o título: "Incansável gladiador daverdade". Fidel, que governou Cuba por 47 anos antes de adoecer,evita oficialmente o culto à sua pessoa. Seu aniversário nuncafoi feriado nacional nem comemorado com festas ou desfiles. "A melhor forma de festejar o aniversário do Comandante écom a luta antiimperialista. Desejamo-lhe muitas felicidades emuita sorte", disse o presidente da Bolívia, Evo Morales, à TVestatal cubana. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seu principalaliado, não havia divulgado uma mensagem. (Com reportagem de Anthony Boadle em Havana)

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