Fidel Castro critica EUA por atraso em reforma da saúde

'Qual esperança essa sociedade pode oferecer ao mundo?', questionou o ex-presidente cubano

Reuters e Efe

20 de agosto de 2009 | 07h56

O ex-presidente cubano Fidel Castro criticou os Estados Unidos por gastarem milhares de dólares em armas de última geração mas não conseguirem aprovar uma reforma do sistema de saúde para proteger os cidadãos mais pobres.

Fidel escreveu em um artigo publicado na Internet na quarta-feira, 19, que enquanto os enormes orçamentos militares são aprovados com facilidade no Congresso dos EUA, o presidente Barack Obama tem encontrado enorme dificuldade para convencer os parlamentares a aprovarem uma lei para "levar os serviços de saúde a 50 milhões de norte-americanos que precisam deles."

"Qual esperança essa sociedade pode oferecer ao mundo?", acrescentou Fidel em um texto publicado quase à meia-noite de quarta no site oficial do governo www.cubadebate.cu.

O programa de saúde de Obama, que tenta tornar os serviços médicos mais baratos e acessíveis, tem encontrado resistência no Congresso, principalmente entre os republicanos da oposição, que alegam, entre outra coisas, que seria um passo rumo ao socialismo.

Fidel afirmou que uma clínica que oferece serviços médicos gratuitos em Los Angeles atendeu recentemente 8.000 pacientes, alguns procedentes de locais a centenas de quilômetros de lá, que disseram não poder pagar por uma consulta médica ou dentista em suas próprias cidades.

O governo de Cuba se orgulha de oferecer serviços médicos gratuitos à população.

"Os lobistas no Congresso passaram o mês de agosto trabalhando contra uma simples lei que pretende oferecer assistência médica a dezenas de milhões de pessoas pobres, negros e latinos em sua imensa maioria, que precisam dela", escreveu.

"Mesmo um país bloqueado como Cuba conseguiu fazer isso", afirmou, referindo-se ao embargo imposto pelos EUA à ilha que o governo comunista afirma ser responsável por muitos de seus problemas econômicos.

Fidel Castro também afirmou que os robôs americanos podem substituir os "soldados imperiais nas guerras de conquista", além de tirar o emprego de milhões de trabalhadores, em artigo divulgado hoje pela imprensa oficial local.

 

"Se os robôs nas mãos das transnacionais podem substituir os soldados imperiais nas guerras de conquista, quem deterá as transnacionais na busca de mercado para seus produtos?", diz o ex-presidente na coluna "Reflexões", em artigo intitulado "O império e os robôs".

 

"Assim como inundaram o mundo com automóveis que hoje competem com o homem pelo consumo de energia não renovável e até pelos alimentos transformados em combustível, podem também inundá-lo de robôs que tirem milhões de trabalhadores de seus postos de trabalho", prossegue Fidel.

 

Para o líder cubano, os cientistas poderiam desenhar robôs capazes de governar e, assim, economizariam o que chamou de "horrível, contraditório e confuso trabalho do Governo e do Congresso dos EUA". "Sem dúvida fariam um trabalho melhor e mais barato", ironiza o ex-presidente cubano, que completou 83 anos na quinta-feira passada e não aparece em público desde julho de 2006 por razões de saúde.

 

Fidel, de 83 anos, não é visto em público desde que foi submetido a uma cirurgia intestinal em julho de 2006. Ele abriu mão da presidência no ano passado e desde então foi substituído pelo irmão mais novo Raúl Castro. Mas mantém suas posições atualizadas através de artigos publicados nos jornais e sites do governo e lidos nas emissoras de rádio e TV do Estado.

Tudo o que sabemos sobre:
Fidel Castro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.