Fidel Castro defende 'crítica arrasadora' de Chávez à Europa

Líder cubano acrescenta que continente 'tentou dar lições de retórica nesta Cúpula Ibero-americana'

Efe,

11 de novembro de 2007 | 17h53

O presidente de Cuba, Fidel Castro, defendeu neste domingo, 11, a "crítica arrasadora" do colega venezuelano, Hugo Chávez, à Europa, mas sem mencionar diretamente a discussão entre ele e o rei Juan Carlos da Espanha. "A crítica de Chávez à Europa foi arrasadora. À Europa que justamente tentou dar lições de retórica nesta Cúpula Ibero-americana", disse o comandante da Revolução Cubana em um novo artigo da série "reflexões" publicado neste domingo na imprensa local. No sábado, o governante venezuelano voltou a criticar, durante a sessão final da 17.ª Cúpula, em Santiago do Chile, o ex-premier espanhol José María Aznar, chamando-o de "fascista", o que fez com que Zapatero e o monarca espanhol o recriminassem pessoalmente. Fidel afirmou ainda que nas palavras dos presidentes da Nicarágua, Daniel Ortega, e da Bolívia, Evo Morales, "se escutaram as vozes de Sandino e das culturas milenares deste hemisfério". "Dedicar a próxima cúpula à juventude latino-americana é uma mistura indigerível de cinismo e mentira para semear reflexos condicionados na mente dos povos", afirmou o dirigente cubano. Fidel disse que o guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Che Guevara, que morreu há 40 anos, "sentiria orgulho com os pronunciamentos de vários líderes, revolucionários e valentes, com independência da pequena ou grande experiência política de qualquer um deles". "Com profunda dor, ouviria os discursos pronunciados na Cúpula Ibero-americana em Santiago por parte de posições tradicionais de esquerda", acrescentou. "Os da direita assumiram as posições igualmente tradicionais fazendo inteligentes concessões à suposta esquerda", afirmou. Ele criticou também o discurso do presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, que defendeu os Tratados de Livre-Comércio (TLC) assinados por seu país. "O discurso pronunciado nesta Cúpula pelo presidente de El Salvador provoca náuseas", disse Fidel, que diz em seu novo artigo que "o capitalismo é um sistema regido por leis cegas, destrutivas e tirânicas impostas à espécie humana". O líder cubano, de 81 anos, não aparece em público desde 26 de julho de 2006. A última vez em que foram divulgadas imagens suas na televisão foi em meados de outubro no programa "Alô, Presidente!", transmitido por Chávez a partir da cidade de Santa Clara, Cuba. Na ocasião, Fidel conversou ao vivo por telefone com o presidente venezuelano por mais de uma hora.

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